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A decisão de estar solteira

Quando chega fase da adolescência, muitas de nós começamos a ouvir a famosa frase: “e os namoradinhos?”. Eis que é chegado o fim da escola e as cobranças ficam ainda mais intensas. Passamos a evitar aqueles encontros com a tia-prima-avó da nossa mãe para não termos que responder certas perguntas que muitas vezes não somos obrigadas a saber da resposta.

O fato é que convencionou-se que, para uma mulher ser completa ela precisa ter, além de uma carreira bem-sucedida, um companheiro. Parece que sem isso falta algo, como em uma peça de quebra-cabeça. As pessoas não aceitam mulheres que não querem relacionamentos. E pior: elas não acreditam nelas. Quando surge alguma que ousa soltar essa frase, logo é taxada de “mal-amada” ou que “só fala isso porque não arranja ninguém”.

Querer estar sozinha parece ofensa. Gostar disso, então, é mais feio do que bater em mãe.

Vejo exemplos cotidianos de mulheres maravilhosas com currículos invejáveis, viajadas, poliglotas e que são tidas como coitadas só por não terem um parceiro.

Sim. A “solidão” assusta. Existe um medo generalizado de ficar só. E é aí que entram as pessoas que se entregam à relacionamentos fadados ao insucesso – muitas vezes abusivos – só para se sentirem mais garantidas quanto ao futuro solitário que as aguardava enquanto solteiras. E neste momento surgem problemas de autoestima, ansiedade, depressão, entre tantos outros exemplos de situações que passam a existir quando tentamos tapar buracos de forma errada em nossas vidas (ou, no caso, tapar buracos quando eles nem sequer existem).

Foto: Reprodução

As pessoas tentam o tempo todo justificar o porquê de uma mulher estar sozinha.

– Será difícil de lidar? Deve ter um gênio forte.

– Ih, aquela ali só pensa no trabalho.

– Deve pegar geral, por isso ninguém quer.

Ou seja: para a sociedade, a solteirice nunca é uma decisão nossa, mas sempre uma imposição. Ninguém se importa em perguntar se essa é, simplesmente, a sua vontade.

Com essa era de redes sociais ficou ainda mais difícil ter decisões que vão de encontro às da maioria das pessoas. Tem sempre alguém esperando pela foto do casal no dia dos namorados, ou pelo stories jantando em um restaurante diferente a cada data especial. Se você diz não querer isso, você tem algum problema.

A internet nos fez ficar interdependentes. Ninguém nunca está só. Desaprendemos a ser singulares. A curtir a nossa presença sem a interferência de ninguém. Se uma pessoa chega em casa numa sexta-feira e quer simplesmente colocar uma música, ler um bom livro e tomar um vinho – e tudo isso sozinha -, certamente vai ser chamada de antissocial por alguém. Há a cobrança de ter que sair para encontrar um namorado.

São duas opções: ou estamos sozinhas por algum motivo alheio à nossa vontade, ou estamos à procura. Parece que não há outra alternativa.

Foto: Reprodução

Se a solteirice vai ser uma fase ou se vai durar para sempre, isso depende. Mas, que não nos privem do direito escolher o que quisermos para nós, e sobretudo, de apreciarmos a nossa própria companhia sem termos que distribuir “porquês” por aí.

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