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Amadurecer foi uma delícia, me fez livre.

Já contei para vocês outra vez que sou filha única, então sofri a infância inteira com a necessidade constante de agradar aos outros – fugir da solidão- se é que isso é possível em qualquer fase da vida.

Por muitos anos tentei emagrecer, alisar meu cabelo, ir às festinhas descoladas, cobiçar as mesmas viagens e os mesmos empregos que as pessoas que eu admirava alcançavam. Quando a gente é mais nova a gente quer o mundo, e de preferência para ontem- embrulhado em um lindo laço cor de rosa.

Os anos passam – e quando digo anos não digo décadas, digo curto espaços de tempo mesmo – de repente 30.

Amadurecer foi uma delícia, me fez livre.

Descobri que agradar aos outros passa, e você se torna um bocado egoísta até. Passa a fazer escolhas pensando no que será mais prazeroso para você. Ponto. [ Exceto para o Edu, como comentei antes – claro 🙂 ]

Me aceitei. Aceitei meu cabelo cacheado, meus dentões, meus quilinhos a mais (vez ou outra, a menos). Aceitei que sou péssima com números e ainda pior com horário, aprendi que nunca gostei de vodka com Redbull ou champanhe, que salto alto dói e cinta compressora mais ainda. Não tenho vontade nenhuma de aprender francês e adoro folhear Revista Caras. E daí?

A gente passa a se cobrar menos, aproveitar os momentos com amigos sem importar o local de encontro, a tomar uma taça de vinho Rosé em todo e qualquer boteco, a sair de tênis ou passar o réveillon na casa da vó no Ipiranga.

Aos 30, ou quase 30, a gente percebe que existem muitas coisas que adoramos, e outras muitas que odiamos- e passamos a ser fiéis àquelas que nos trazem mais prazer.

Você passa a batalhar por qualidade de vida, por saúde, por compras mais ambiciosas. Hoje não quero mais um emprego que pague milhões, mas que  consuma a minha juventude, não quero ceder o meu tempo livre para conhecidos chatos (por educação), não quero trocar de carro enquanto posso poupar para comprar meu primeiro apartamento.

Aceitar quem somos vai muito além dos nossos atributos e qualidades – ele diz respeito de como enxergamos o nosso tempo, o nosso mundo e as pessoas queridas que estão nele.

Quando nos amamos, amamos os outros melhor. Quando aproveitamos nossos empregos, entregamos um trabalho melhor. Quando desfrutamos da comida ou da bebida que nos é servida, tornamos os encontros mais agradáveis e o papo mais florido (e fluído). Quando cedemos nosso tempo à alguém, estamos imersos e presentes naquele momento.

Tanta gente desaparece o tempo inteiro. E se uma pequena, e curiosa, parcela forem indivíduos sufocados em suas rotinas, cansados de agradar aos outros?

Temos a sensação de que fugir, começar do zero, tirar umas férias ou fazer um intercâmbio, irá mudar o nosso humor em relação a vida- enquanto que a liberdade só existe dentro de nós mesmo, como um estado de espírito. Ir à Nova York ou Escócia realmente é uma delícia, mas nada te trará a paz de aceitar a pessoa que você é.

A mente é uma coisa maravilhosa, e tão poderosa- capaz de magicamente atrair todas as coisas que você deseja!

Já dizia Martha Medeiros, se as coisas não mudaram até agora, deixe as coisas como estão! Mude você! Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, né?

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