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As mulheres estão fazendo sexo por educação e isso tem que acabar

Essa é a tradução de um artigo de opinião publicado no Metro.co.uk, depois do conto “Cat Person” no New Yorker, e antes da história do encontro com Aziz Ansari no Babe.net. Creio que é uma discussão muito válida que está ocorrendo no momento, e devo fazer um adendo da minha opinião antes da leitura: Fazer sexo sem vontade não é de maneira nenhuma sua culpa, não é um problema individual e a violência masculina tem que ser sim culpada e apontada independente da conduta do homem na situação. Nós fazemos sexo sem vontade por medo ou como diz o texto “educação” porque nos é ensinado que é isso que devemos em troca da atenção masculina. Os números nos mostram como é mais perigoso “dar pra trás” do que seguir em frente com algo que não queremos. Quando você faz sexo por educação ou medo, basicamente por ser socializada como mulher na sociedade patriarcal, pode ser que esse cara específico não tenha te estuprado, mas o patriarcado sim.

No final da minha adolescência fui jantar com um casal de meia idade que eu não conhecia bem.

Ela fez um curry.

Estava muito, muito picante para mim (eu tenho o paladar de uma criança branca de cinco anos de idade). Cada mordida que eu dava machucava mais minha boca, mas eu não queria ser mal educada. Então eu não disse nada. E eu comi. Ela provavelmente tinha iogurte na geladeira. Eu poderia poderia ter comido só o arroz. Haviam maneiras fáceis de resolver esta questão, mas eu não disse nada. Porque não queria ser mal educada.

 

Ilustração de Tiffany Mallery

Após o curry fomos lá pra cima e fizemos um ménage à trois, também porque não queria ser mal educada.

Eu não sentia atração por ela, e eu realmente não sentia atração por seu marido. Mas tinham sido tão legais comigo, e eu meio que sabia que isso poderia acontecer. A ideia de um ménage à trois parecia ser uma boa. Divertido. Emocionante.

No entanto pareceu um tanto menos uma vez que tornou-se real. E foi como eu me encontrei deitada na cama deles, meus olhos bem fechados, tentando focar nas sensações que não eram tão desagradáveis e lembrando-me que isso, como todas as coisas, ia acabar.

Depois eu sorri bastante. Ela disse ao marido para me acompanhar ao metrô com seu cachorro. Eu menti e disse que ia pegar um táxi, porque eu honestamente não saberia como lidar com passar mais um segundo em sua companhia. Não era como se ele tivesse alguma coisa para me dizer de antes. Muito menos agora.

 

Ilustração de Tiffany Mallery

Eu apenas os vi poucas vezes depois. Não foi uma experiência traumática. Não tinha pensado sobre isso por anos, até que li um conto no The New Yorker, intitulado ‘Cat Person’, sobre uma mulher de 20 anos de idade que transou, como eu, por educação.

Parece que esta experiência não é incomum. ‘Você já transou por educação?’ joguei como uma enquete.

Sim, veio a resposta. Sim, sim, sim.

Com namorados. Melhores amigos. Amigos da família. Caras mais velhos, caras mais novos, caras que você poderia ter se interessado em circunstâncias diferentes.

‘Eu tenho quase certeza que a maioria das minhas experiências sexuais na minha adolescência e 20 anos foram por educação’ disse Maya, 28. ‘ Você acaba em uma situação onde você fica preocupada em ofender alguém se você não for em frente — seja porque você conduziu a situação ou pelo que eles vão pensar sobre si mesmos se você desistir no último minuto. E em relacionamentos, eu transei quando eu definitivamente não queria mas só por me sentir mal em não fazê-lo — e se o outro pensasse que o que eu achava que ele era uma porcaria na cama ou não sinto mais atração por ele?’

A história de Maya ecoou várias vezes com as mulheres que conversei. ‘Não queria que ele ficasse chateado’, ‘Tínhamos ido tão longe e parecia inútil parar então’, ‘Eu não o conhecia bem o suficiente’.

Existem centenas de razões porquê, mas todas resumem-se a mesma coisa. Nós somos garotas gentis. Fomos criados para sermos gentis. Agradáveis. Não ferir os sentimentos de ninguém. Não perturbar a paz. Você é açúcar, tempero e tudo de bom (“sugar and spice, and everything nice”), lembra?

 

Ilustração de Rachel Tham

E depois há o inconveniente mas verdadeiro elemento da segurança.Você pode saber que nunca, jamais perderia sua calma se uma mulher mudasse de ideia sobre sexo.

Ela não sabe disso.

Você pode saber que você não é violento, que você a levaria pra casa ou iria chamar um Uber ou sugerir que apenas vissem um filme em vez disso.

Ela não.

Mulheres morrem nas mãos dos homens com raiva o tempo todo. Não estou sendo dramático, e não estou sugerindo que todos os homens são violentos. Mas o fato é, os violentos não usam placas sinalizando em torno de seus pescoços. Nós não sabemos quais são. Então devemos ser cautelosas.

E às vezes ser cautelosa significa fazer sexo que você não quer, o que deixa você se sentindo suja e triste e um tanto nojenta.

Não é estupro. Não é abuso. Mas não é bom, também. É uma área cinza triste, pegajosa e nojenta que mulheres não deveriam se encontrar. Mas nos encontramos. De novo e de novo, nos encontramos.

Eu não acho que homens se alegrariam com a ideia que mulheres transaram com eles apenas porque estavam sendo educadas, porque elas fizeram cálculos em suas cabeças e decidiram que transar seria menos assustador ou difícil do que não transar. Mas acontece. Acontece muito.

Eu entendo porque essa discussão deixa alguns homens tão irritados. Soa como se eu estivesse dizendo que vocês são um monte de predadores sexuais.

Não é isso que estou dizendo, de maneira alguma. Mulheres são tanto sexuais, querendo tanto sexo quanto. Mas infelizmente, elas também podem fazer quando não querem.

 

Ilustração de Tiffany Mallery

Então quando você quiser consentimento, realmente procure por ele. Não faça com que uma mulher não dizendo não seja uma confirmação de que ela quer transar. Tenha certeza que ela tem uma opção — que as opções realmente estão abertas para ela.

Dessa maneira você sabe que a pessoa com quem você está na cama realmente, genuinamente quer estar lá.

Fonte: Por Rebecca Reid — traduzido do Metro.co.uk

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