papo_delas_logo

SIGA O PAPO NOSSO CANAL /PAPODELAS
sem_filtro

Até que o ar condicionado nos separe

Sou paulista, ele é carioca. Tem gente que chama a gente de Eduardo & Mônica, um completa o outro e vice-versa. Nosso Instagram é lindo, quer dizer – o meu. Ele odeia metade das fotos que eu faço ele tirar comigo no colo. Postagem só no aniversário e olha lá. Quem vê de fora, realmente só enxerga a parte deliciosa da nossa vida junto.

Não tem um dia que eu não sinta falta da minha mãe, do cheirinho de bolo depois do trabalho ou das gavetas arrumadinhas. Por outro lado, não tem uma manhã que eu acorde e não ache ele o homem mais incrível do universo – até de pijama do flamengo.

Morar junto é uma delícia, mas também é uma merda.

Tem dias que eu não quero conversar, e ele está cheio de energia para correr uma maratona. Tem dias que eu escondo minha bolacha favorita no fundo do armário, e o infeliz come o pacote inteirinho. Tem dias que encontro chuteiras imundas no piso de mármore da minha cozinha. E tem dias, quer dizer, final de dias, que até o resto da pasta de dente é eliminado sem dó e brindado com uma tampa do banheiro de pé.

Bate aqueles dois segundos de ódio e vontade de dar ré, voltar para o trabalho, né? Quem nunca?

Mas aí ele chega, todo sorridente (como sempre – desgraça de moço bem humorado). Abraça e cumprimenta a nossa cachorrinha, todo dia como se fosse a primeira vez. Ele enche a casa, no sentido de recheio mesmo, sabe?! Imagina uma trakinas sem pastinha de morango no meio? Se é que vocês me entendem! Um coração enorme, tão leve e tão contente com a vida, independente do trânsito, das metas ou da fatura do cartão de crédito debaixo da porta.

O Edu é sossegado, não vê o lado ruim das coisas, não fala palavrão e não odeia ninguém. Ele não lava louça, mas ele é o único indivíduo que me leva no pronto socorro de madrugada por cólicas menstruais ou me ajuda a ensaiar para uma entrevista de emprego. Ele é o primeiro a me incentivar a estudar fora do Brasil e o último a me criticar. (Mamãe, eu te amo. Tá?)

Conviver é difícil, mas todo mundo fala que é fácil. Tudo mentira! E quem disse que difícil deve ser algo ruim?Emagrecer, passar no vestibular, aprender a dirigir, correr 10km, juntar dinheiro, aprender um idioma, enfim…. tudo isso é difícil também. 

Mas 100% das coisas mais elaboradas que fiz  até hoje sempre foram as melhores descobertas da minha vida. Não só me ajudando a crescer como mulher, mas como ser humano.

Sou filha única – não diria que sou mimada, mas sempre fui autoritária e solitária. Adoro meu espaço sozinha, ouço música clássica de madrugada e assisto Outlander 3 vezes por semana. E pra piorar, adoro ler sobre cultura celta. Nunca soube dividir banheiro, comida menos ainda. Minhas amigas da época de solteira, Deus as guarde, sabem o quanto sou pavio curto e implicante.

Mas o Edu não se importa. Pelo contrário, ele me aceita. E indiretamente me faz repensar em todas as atitudes que tenho, ou tive, com o mundo ao meu redor. Ele me ensinou a ter calma, a me colocar no lugar dos outros. A ter coragem em falar a verdade, ser amorosa e também ser estudiosa. Me ensinou que todo mundo tem um lado bom e que no fundo, todo mundo precisa de ajuda.

Morar junto tem sido a experiência mais enriquecedora que já fiz. Intercâmbios foram fichinha perto disso.

É normal ter conflitos. Porém, com o tempo se tornam pontinhos tão insignificantes na nossa história… Quando duas almas finalmente se encontram, e trabalham para estar juntas, não existe ar condicionado desligado que separe. Como o Eduardo e a Mônica, que apesar de diferentes, eram no final do dia feijão-com-arroz. Simples, gostoso, rotineiro e onipresentes em sua existência.

PS: Edu, se você está lendo isso, não esquece de comprar pão e voltar logo para casa. Eu te amo e já estou com saudades, beijos.

Insira suas palavras-chave de pesquisa e pressione Enter.