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Como voltar à vida de solteira depois de um relacionamento longo

Minha expectativa de rotina quando voltei a ser solteira depois de oito anos de casamento (que veio imediatamente na sequência de um relacionamento que durou outros 15): ficar em casa vendo o Faustão todos os fins de semana da minha vida, com a minha gata e a minha cachorra (será que eu precisaria adotar mais uma meia dúzia de bichos para garantir a companhia?) e sentindo eternamente aquela dor da ausência, que chegava a ser física. Realidade: uma viagem para o Sudeste Asiático (e várias outras incríveis), emprego, amizades e muitos interesses novos, como correr (tenho uma meia maratona agendada para junho!) e batucar (toco em um bloco de Carnaval de São Paulo) – ah, sim, a televisão eu nem lembro que existe, agenda lotada. Sem tempo pra você, Fausto querido, sorry.

Mas haja recaídas até completar essa transição do “nós” para o “eu pleno”! Foram cerca de dois anos de choro misturado com risada, saudade intercalada com alívio, bebedeiras seguidas de ressaca física e moral (dignidade, cadê você, sumida?), dias de festas e outros de posição fetal na cama, sexo bom, sexo ruim, zero sexo, coragem e medo. Muito medo, um dos principais sentimentos nesse processo: de não conseguir seguir em frente, de não me interessar por outros caras (e vice-versa), da solidão e, principalmente, de não saber ser solteira. Afinal, eu nunca tinha sido em toda a minha vida adulta. Era a primeira vez em 39 anos! Não tinha nem ideia de por onde começar a curar aquilo – é pé na bunda que chama, né?

De repente, “eu”

Como não estava com muita energia para mais nada, acabei fazendo por instinto o que todos os especialistas em coração partido recomendam: me joguei na sofrência. “Não há despedida sem dor. Precisamos senti-la, respeitá-la e tentar viver um dia de cada vez”, diz a psicóloga Sirlene Ferreira, de São Paulo. No meu caso, a pior fase durou seis meses. Não fiquei trancada em casa chorando o tempo todo, fiz isso só no primeiro mês. Mas não passei um dia desse período (mesmo quando estava me divertindo e comendo escorpião com as minhas amigas na Tailândia) sem dar pelo menos uma choradinha. E tudo bem, era assim mesmo que tinha que ser, aprendi depois na terapia e em todas as incontáveis matérias que procurei no Google sobre “como superar o fim do relacionamento”.

Bota o corpinho no sol!

A boa notícia é que essa bad passa. A má é que não inventaram nenhuma fórmula mágica para acabar logo com ela. Algumas pessoas superam mais rápido do que outras, vivem só algumas das cinco fases do luto (veja box), outros passam por todas. Sim, é real/oficial, você está de luto pelo toco tomado (ou dado; também não é fácil para quem entra com o pé nesse acordo). Pode levar um mês, um ano ou mais pra deixar de sentir os efeitos do chute na bunda, mas o jeito é colocar “a bunda no sol” doída mesmo. “É preciso criar outros afetos, não centrar a vida só numa falta. Tentar fazer pela primeira vez coisas que você nunca experimentou, aprender a se agradar e a se priorizar”, diz a psiquiatra Valeska Zanello, da Universidade de Brasília.

A única maneira de descobrir é tentar, experimentar, se jogar, sem preconceitos. Eu aceitei todos os convites que apareceram: aniversário da amiga da amiga da amiga, com gente que eu nunca tinha visto, num karaokê? Bora! Quantas novas pessoas entraram na minha vida depois de vários desses programas aparentemente furados! Acordar às 6 no domingo pra uma prova de corrida? Tô dentro (madrugar sempre foi meu pior pesadelo. Até aquele dia. Não é mais, agora que virei corredora). Tarde demais para aprender a tocar um instrumento? Nunca! Agora tenho uma caixa pra chamar de minha e um grupo animadíssimo de carnavalescos com quem curto a folia de setembro de um ano a fevereiro do outro (falta muito ainda?).

“Ah, mas não tenho companhia, todas as minhas amigas estão casadas.” Mais um motivo para procurar novos interesses: renovar o círculo de amigos ou resgatar aqueles que não estavam na mesma vibe que você na fase do “nós”. Não tenha vergonha de mandar um “Oi, sumida” para as amigas solteiras (quem nunca? As manas de verdade vão entender e apoiar).

Aliás, não tenha vergonha de nada, dane-se o que os outros vão pensar. “Algumas mulheres que iniciam um relacionamento muito cedo descobrem uma adolescência tardia aos 30, 40 anos. E não tem nenhum problema vivenciar essa fase agora”, diz Sirlene. Não, você não está velha demais para ir pra balada, fazer uma viagem inesquecível, entrar no Tinder, seduzir e ser seduzida novamente e, quem sabe, ter o melhor sexo da sua vida com um desconhecido… E tudo isso vai rolar alguma hora! Mirar no domingão com o Faustão no começo é normal. O importante é fazer de tudo para acertar na vida Fátima Bernardes no final.

A vida imita a arte

Em vez de stalkear o ex nas redes, aproveite seu tempo livre com leituras mais produtivas. Selecionamos uma lista que é pura inspiração para quem está recém-solteira

A Mulher do Viajante no Tempo, Audrey Niffenegger (Suma de Letras)

Comer, Rezar, Amar, Elizabeth Gilbert (Objetiva)

Melancia, Marian Keyes (Bertrand)

Sob o Sol da Toscana, Frances Mayes (Rocco)

Mas Você Vai Sozinha?, Gaia Passarelli (Globo)

Livre, Cheryl Strayed (Objetiva)

Mulheres Que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés (Rocco)

Como Eu Era Antes de Você e Depois de Você, Jojo Moyes (Intrínseca)

Nós, David Nicholls (Intrínseca)

Caminho para a felicidade

O efeito psicológico que o fim do relacionamento causa é comparado por pesquisadores do tema ao sofrimento causado pela morte de alguém querido. O importante é estar consciente de que é preciso passar por obstáculos para conseguir chegar ao destino final: você!

Negação

Nessa fase, a gente insiste em não admitir o problema: “Não é possível que tenha acabado assim, vamos voltar, ele vai me procurar, vai sentir minha falta”. Algumas mulheres, inclusive, demoram a conseguir tirar a aliança ou mudar o status no Facebook. Pior atitude nessa situação: stalkear o ex nas redes sociais (na vida real, então, motivo de interdição!), ligar ou mandar mensagem bêbada de madrugada, chorando. Ok, você não acredita que terminou, tudo bem. Vai passar. Mas pare de seguir o boy pelo menos por um tempo nas redes sociais. As fotos dele na balada passando na sua timeline não vão ajudá-la a se sentir melhor.

Depressão

Período também conhecido como “Minha cama, minha vida”. E você pode (e deve!) se jogar mesmo nela. É a hora de chorar sozinha, com as amigas, na frente de desconhecidos, e decorar as músicas da Marília Mendonça. Tudo bem olhar todas as fotos dos momentos lindos que vocês tiveram juntos e pensar que nunca mais na sua vida haverá outros assim, tão felizes, (obviamente, uma grande mentira!). O sentimento de impotência diante da situação é enorme. Vale a pena procurar ajuda profissional para atravessar essa turbulência se o ombro das amigas não for o suficiente.

Raiva

Agora o sentimento é de injustiça e revolta. O choro deu lugar ao grito. É real/oficial, não tem volta mesmo! Você está sozinha e amargurada, nem sabe mais se tem lágrimas no estoque. E tudo isso por quê? Isso mesmo, por causa daquele boy lixo que não soube te dar valor. Você o odeia tanto que vai rasgar todas as fotos dele e fazer textão nas redes sociais denunciando o cafajeste pro mundo. Opa, tudo tem limites! Sua raiva é legítima, mas desabafe na terapia, com os amigos próximos, com a família. Escrever o que está sentindo também ajuda a elaborar melhor as ideias (releia sempre, é interessante perceber como pensamos diferente com a cabeça fria depois). Mas para você mesma, num diário, ok? Não se exponha. Só vai piorar as coisas.

Barganha

Você vai começar a negociar a dor consigo mesma, prometendo sair uma pessoa melhor dessa situação. Vai jurar que nunca mais irá se relacionar com ninguém, não quer mais saber de homem, porque eles são todos iguais. E vai descobrir que o finado relacionamento serviu para aprender a lição. Sim, serviu para aprender várias, certamente. Mas não, homem não é tudo igual, assim como mulher também não. Cada ser humano é único. E logo mais você vai começar a descobrir as especificidades de diferentes homens…

Aceitação

Ufa, enfim passou o desespero! Você já entendeu que a sua nova vida é esta: solteira. Não espera mais chegar uma mensagem do ex arrependido, implorando pra voltar (talvez você nem aceitasse, se isso acontecesse agora), fala menos dele, pensa menos… Opa, parece que, finalmente, essa assombração encontrou a luz e vai deixar você seguir o seu caminho em paz. E esse caminho não será nada menos do que incrível!

Fonte: Cosmopolitan

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