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Compulsão alimentar: identificando a raiz do problema

Não há dúvidas. Na era das redes sociais, todos nós estamos condicionados a sermos cada vez mais imagéticos. Abrimos o Instagram e rapidamente nos deparamos com pessoas de top e short na academia exibindo seus corpos esbeltos e com -13% de gordura corporal (contém ironia) falando sobre autoaceitação e autoestima. Essas mesmas pessoas nunca falham: andam sempre com suas marmitas prontas, não deixam de fazer exercício nem um só dia, não vão à encontros sociais para não cometerem o pecado da gula, e claro, por isso são recompensadas com os tais “corpos perfeitos”.

Mas, e quem não consegue?

À parte disso, existem as pessoas que por “n” motivos não conseguem chegar ao seu objetivo – seja por saúde e/ou estética – e por causa ou consequência disso desenvolvem transtornos como a compulsão alimentar.

O que é Compulsão Alimentar?

É importante deixar clara a diferença entre compulsão alimentar e exagero. Existem pessoas que são viciadas em certos alimentos e que acabam por sempre exagerar no consumo deles. Ou que, em ocasiões especiais como o Natal, por exemplo, comem em demasia. A compulsão alimentar é um transtorno que se caracteriza pela ingestão de uma grande quantidade de alimentos em um curto espaço de tempo. Outros sintomas são: comer mesmo sem estar com fome, comer sozinho e/ou em segredo, continuar comendo mesmo já estando saciado, sensação de tristeza e culpa após comer.

Foto: Reprodução

Quais são as possíveis causas?

Uma das causas mais comuns de Compulsão Alimentar são as dietas restritivas. Muitos especialistas já trabalham com a máxima de que “restrição gera compulsão”, pois é muito corriqueiro que pessoas expostas à severas dietas se tornem deprimidas justamente por se sentirem privadas demais, acabando assim por “descontar” na comida todo o seu “insucesso”. Se torna um ciclo sem fim. A pessoa quer emagrecer, se expõe à uma dieta onde tudo o que gosta é cortado, não consegue manter esse ritmo por muito tempo, não emagrece e comece a se sentir culpada e a comer mais para esquecer do seu fracasso.

E é aí que também entra o papel agressivo das redes sociais. Sentindo-se culpada, a pessoa compulsiva entra nas redes sociais e começa a ter pensamentos como “só eu que não consigo” ou “fracassei mais uma vez”. Começa a se desesperar, apelando para artifícios como “um dia de detox” ou “um dia em jejum” para compensar o chamado estrago.

Mas não compensa.

Não é um dia que vai te fazer emagrecer. Não é um chá, um suco “detox“, ou 24 horas só ingerindo água. O emagrecimento é um processo que necessita de constância, e se você não consegue manter seus hábitos, dificilmente terá resultados.

Outros fatores que podem levar à compulsão são: problemas com a autoestima, estresse, transtornos como bulimia e doenças psicológicas como depressão.

É importante pontuar  também o papel das pessoas que convivem com indivíduos que tem compulsão alimentar. Evitar comentários sobre o corpo pode ser um desafio hoje em dia, mas, nesses casos, é fundamental para não se tornar mais um gatilho emocional.

Como tratar a compulsão alimentar?

É necessário entender e desvencilhar que o problema da compulsão alimentar está nos alimentos. Ele está basicamente na relação de alguém com os alimentos. O que significa um chocolate para você? Ele é só um doce ou um alimento que – na sua cabeça – é capaz de cicatrizar feridas?

Foto: Reprodução

Portanto, para tratar a compulsão deve-se contar com um quadro de profissionais, sendo que os principais são psicólogos e psiquiatras. Nutricionistas e nutrólogos vem em conjunto, para te ajudar a fazer escolhas alimentares mais estratégicas.

Separamos algumas dicas para o tratamento da compulsão, mas lembre-se: é fundamental procurar um médico. Cada corpo responde uma forma.

1 – Abandone dietas restritivas

Quando você restringe alimentos com o intuito de emagrecer (e não por conta de alergias, intolerâncias ou doenças, por exemplo), o seu corpo automaticamente aumenta o seu apetite, fazendo você ficar ainda mais interessado em comer. Ele faz isso instintivamente, por proteção e sobrevivência (intuito de acumular gordura por estar em falta). Com esse tipo de dieta, aumenta-se também o desejo pelos “alimentos proibidos” e o desejo quase insaciável de comê-los como recompensa de um esforço. O que acontece? Quando tem a oportunidade de comer, come exageradamente por ser “a única oportunidade”.

2 – Coma estrategicamente, não em menor quantidade 

O que é comer estrategicamente? Bom, é necessário um mínimo de conhecimento sobre o corpo e sobre nutrição para aprender a comer estrategicamente. Ter estratégia na hora das refeições é basicamente saber organizar nutrientes e porções, respeitar a sua fome e as suas vontades como um ser sociável (não privá-lo das coisas que gosta), dar a liberdade que o seu corpo precisa, sem culpas, e sobretudo tratá-lo com carinho. Procure um profissional capacitado para te ajudar nesse processo. 

3 – Você tem fome de que?

Reconhecer a sua fome pode ser um processo difícil no começo. Saber avaliar os sinais que o seu corpo dá é um desafio. Para te auxiliar, comece a anotar o que você está sentindo naquele dia: estresse, raiva, angústia? E comece a fazer uma breve análise para saber se quer comer algo para aliviar algum sentimento. Compartilhe essas informações com o profissional que te acompanha.

4 – Tenha maior atenção ao comer

Para evitar a impulsividade na hora da refeição, procure evitar ficar perto de televisão, celular ou qualquer coisa que te distraia. Esteja pleno naquele momento, coma devagar, saboreie os alimentos e sinta prazer neles.

5 – Evite desafios na internet

“Desafio dos 20 dias”, “Emagreça 10kg em 10 dias”, “Desafio do Jejum”. Somos bombardeados com esse tipo de conteúdo todos os dias na internet. O problema é que, para uma pessoa com transtornos isso é uma arma. Além de poder causar danos físicos – já que não se sabe o quadro de saúde daquele paciente (se tem alguma alergia ou alguma doença como bulimia), pode causar danos psicológicos graves. Se a pessoa não consegue chegar na meta do tal desafio, ou se chega e depois não consegue manter, o ciclo de compulsão se reinicia.

Como já falamos, a compulsão alimentar é um transtorno que precisa de atenção e tratamento.

Se você passa por isso ou conhece alguém nessa situação, não banalize o problema. Procure ajuda de profissionais capacitados e evite acompanhar pessoas que praticam o famoso “terrorismo nutricional”.

E o principal: ame o seu corpo independente de padrões. E, se você quer mudá-lo, mude por amá-lo demais e não pelo contrário.

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