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Decidi investir no meu projeto e começo a realizar meu sonho: Ter a MINHA marca!

Pensar, criar e comunicar.

Durante toda minha trajetória no mundo da moda, seja ela na área criativa ou comercial, esses 3 verbos sempre foram a base do meu trabalho e da minha atuação.

Comecei muito cedo, como designer de acessórios, aos 22 anos de idade. Criava bolsas com palha de buriti e jóias com ouro e coco seco. Sempre tive a curiosidade de conhecer, explorar o artesanato, a matéria prima local e criar em cima disso. Era como se eu quisesse dar uma cara nova ao que passava despercebido ou mostrar que ideias não tão óbvias eram possíveis, e através delas, despertar algo diferente nas pessoas, surpreender e inovar.

Muita coisa aconteceu, o negócio cresceu, as cópias aconteceram e me colocavam um pouco pra baixo. Mudei um pouco a minha atuação na criação e passei a focar em produzir apenas joias e semi-joias. Logo estava eu, com uma marca própria, produzindo em larga escala, vendendo em muitas lojas pelo Brasil todo, com minhas criações nos editorias das principais revistas de moda e também, com os problemas de uma produção em larga escala: a qualidade.

Não conseguir ter a qualidade que eu sonhava e almejava, ainda que até hoje, vira e mexe eu receba mensagens e fotos de pessoas que eram clientes daquela época, elogiando o meu trabalho, a qualidade e o fato de depois de tantos anos as peças estarem perfeitas, eu era uma pessoa em busca de uma perfeição que eu não sei explicar.

O meu nível de exigência com tudo que eu faço e crio, me leva a ter ideias incríveis como também, a decepções desnecessárias.

Decidi mudar de área, decidi dar um tempo, decidi continuar na moda, porém, na área comercial, no planejamento e no varejo. Quando um caminho está cheio de obstáculos, a gente tem que ligar o nosso Waze e seguir fazendo a mesma coisa, dirigindo porém, por outro caminho. Continuei na moda, porém, por outro caminho.

O varejo foi uma experiência intensa e já inicialmente cheia de obstáculos. Ou seja: aprenda que nada vai ser perfeito.

Foi nele que aprendi a lidar com pessoas, me desenvolver como gestora, como líder e como estrategista. Foi um período onde descobri uma nova Amanda dentro de mim, com uma força que eu não sabia que tinha, com uma determinação que surpreendeu a mim e as pessoas ao meu redor.

Trabalhei nos maiores grupos do país, com os melhores profissionais e nas melhores marcas. Os resultados poderiam ser as melhores conquistas, mas as maiores, foram os relacionamentos que criei, tanto profissionais como pessoais.

Aprendi que além de criar, eu tinha outras habilidades, e outras possibilidades. Trabalhei em estados diferentes, o que me proporcionou uma vivência ainda maior no varejo de moda nacional e aprendendo com as características de cada lugar. Varejo é dedicação, ação e uma busca constante por resultados, crescimento e inovação.

E depois de 6 anos atuando dessa forma frenética nesse mercado que consome todo nosso tempo e energia, e acredite, a gente chega a amar isso, eu senti vontade de voltar a criar, saudades de me conectar com a natureza, com a arte, com uma vida com mais qualidade e mais sentido. Seria a hora de ligar o meu Waze novamente?

Tive medo. Queria crescer no varejo, achava que era o caminho mais fácil, mais estável, mas ao mesmo tempo, sentia que eu queria apenas fugir do caminho inicial por medo de me decepcionar mais uma vez com as dificuldades que existiram nele.

E agora? Área comercial ou criação?

Coincidência ou não, os meus últimos dias e meses no varejo, começaram a ficar sem graça, sem brilho, sem admiração. Perdi a vontade de crescer na posição que eu estava, me sentia minada, perdi a vontade de atuar nele. Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas que os princípios eram opostos aos meus (o que foi ótimo) e comecei a buscar uma forma de sair de tudo isso é mudar essa realidade.

O primeiro passo, foi olhar pro passado com outro olhar, e agora, com mais experiência, passei a ter certeza que as minhas decepções no passado eram fruto da minha exigência comigo e com a perfeição que eu buscava, muito mais que decepção com os obstáculos e dificuldades, o problema poderia estar em mim.

Eu podia sim voltar e fazer tudo diferente. Hoje, depois de aprender muito bem, o que eu não podia, era continuar trabalhando minada, sem amor, cansada e fazendo um esforço para estar ali.

Pior que errar, se frustar e quebrar a cara, é trabalhar em algo que você não acredita e não tem liberdade.

O segundo passo, foi o planejamento. Ninguém pode largar tudo do dia pra noite, de uma hora pra outra. Meses antes, comecei a me preparar, investigar o mercado, fazer trabalhos paralelos, pesquisas na área que gostaria de atuar e comecei a dedicar uma parcela do meu tempo ao meu novo projeto.

Errar faz parte do processo de evolução, a frustração te ensina a dar a volta por cima e buscar outro caminho, quebrar a cara te faz diminuir as chances de erro na próxima, mas trabalhar se sentindo “preso na gaiola”, isso só te leva a sua pior versão. Trabalhar sem liberdade e sem admiração pelo contexto que você atua, te leva inclusive, a perder tudo que você já conquistou. Eu não podia permitir que isso fosse a minha realidade.

Então, o que eu tinha a perder investindo no meu sonho? Na minha liberdade? Nas minhas ideias? ABSOLUTAMENTE NADA!

Em janeiro desse ano, dei Adeus a área comercial do varejo e ao seu ritmo intenso e frenético que não me pertencia mais. Sou muito grata por todos esses anos de aprendizado e principalmente, por ter descoberto o meu verdadeiro caminho. Valeu cada segundo.

No dia seguinte que sai da empresa e da minha área de atuação, eu andava pela rua sorrindo e com a certeza de que as pessoas estavam olhando pra mim e me achando louca, o que me fazia rir ainda mais. Tudo era divertido! Eu simplesmente não conseguia parar de sorrir. Fiquei 48 horas com um sorriso cravado no meu rosto, até quando andava sozinha pela rua. Eu exalava alegria. Foi mágico!

Foi aí que percebi o quanto o meu trabalho, no formato que eu estava, me fazia mal. Só depois, tive a exata dimensão disso. Era muito maior do que eu imaginava.

Me libertei!

Decidi investir no meu projeto, nas minhas ideias e na minha certeza. Agora, tenho a minha empresa, a liberdade de criar, de viver e de inovar.

Detalhe: estou trabalhando muito mais, dormindo menos e infinitamente mais feliz.

A experiência agora conta a meu favor e começo a realizar o meu sonho: Ter a MINHA marca, a minha fábrica e o meu escritório, onde posso desenvolver ideias também para outras marcas.

Posso dividir a minha história e a minha experiência com outros profissionais através de workshops e consultorias, posso viajar a trabalho para outros lugares e países, posso inspirar profissionais a seguirem o seu caminho, e principalmente, não buscarem a perfeição. Tive uma grande gestora que me disse inúmeras vezes: “você põe muito peso nas coisas. Tenta ser menos”. Na época eu achava isso ótimo, mas não, não era. Isso era muito ruim principalmente para mim.

Amadureci muito nesse sentido. Continuo viciada em trabalho e perdendo algumas noites de sono, mas agora, com muito prazer. Acordo de madrugada com ideias e planos que não me deixam dormir, porém, me divirto com isso. Sou mais leve e quero curtir esse momento. Acordo feliz todos os dias.

Quando me perguntam o que acho que vou encontrar nesse novo desafio e o que eu espero, afirmo que temos muito mercado para pessoas que querem criar e que conseguem através da moda ou joalheria, se expressar com personalidade.

Temos mercado para pessoas que acreditam em ruptura de valores e conceitos estéticos, para pessoas que querem inovação e transformação. Explorar matéria prima local, trabalho artesanal e ter uma marca que inclui e valoriza as pessoas, além de explorar recursos e ideias sustentáveis, aumentam ainda mais as possibilidades de sucesso, para quem quer atuar na moda, na criação e ter o seu próprio negócio.

Marcas que colocam em evidência o trabalho dos seus fornecedores, parceiros e colaboradores, tendem a ter mais sucesso. Teoria do brilho 😉

O nosso maior desafio, principalmente para quem visa o mercado brasileiro, é ser empresário no Brasil. O nosso país é o que mais cobra impostos sobre o lucro de empresas. O segundo, a transformação digital, que gera oportunidades e desafios. Muitas empresas e marcas do varejo de moda se destacam e ganham muito mais quando investem e adaptam às estratégias do seu negócio para o mundo digital. E o terceiro, é cultural. Ter em seu modelo de negócio e na sua marca, a determinação de acreditar que através dela, você pode passar uma mensagem para a sociedade, pode mudar a vida de pessoas, e do meio ambiente.

Nós, como artistas, criativos e empresários no mercado da moda, devemos ter a clara missão de através da nossa marca, evidenciar núcleos da sociedade, explorar recursos sustentáveis, promover informação de qualidade e incentivar um comportamento de consumo consciente.

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