Oprah: negra, mulher e próxima presidente dos EUA?

Quem acompanhou a 75ª edição do Globo de Ouro no domingo (7) sem dúvidas se emocionou com o discurso de Oprah Winfrey ao receber o prêmio Cecil B. DeMille – concedido a figuras notáveis da indústria audiovisual americana. Em um dos momentos mais emocionantes da cerimônia, Oprah citou que é a primeira mulher negra a ganhar esse prêmio e foi aplaudida de pé quando falou sobre empoderamento feminino, assédio sexual e racismo. Um discurso forte e encorajador que tem provocado especulações sobre uma possível candidatura sua à presidência dos EUA.

 

“Em 1964, eu era uma menina, sentada no chão da casa da minha mãe, assistindo Sidney Poitier vencer o prêmio de melhor ator”, lembrou Oprah sobre o Oscar e o Globo de Ouro recebido pelo ator na época pelo filme Uma Voz Nas Sombras. “Ao palco veio o homem mais elegante que eu já vi. Me lembro da gravata branca e sua pele negra. Eu nunca tinha visto um negro homenageado assim. Tentei várias vezes explicar o que aquele momento significava para uma criança de um lugar tão humilde, enquanto minha mãe entrava em casa, cansada de limpar a casa dos outros. E nesse momento, não consigo deixar de pensar que podem existir outras pequenas meninas me assistindo receber este prêmio. Sou a primeira mulher negra a ganhá-lo. É uma honra, e um privilégio compartilhar a noite com todas elas, e todos os homens e mulheres que me inspiraram, me desafiaram e me trouxeram até aqui.”

Oprah falou também sobre abuso sexual. “Não sofremos abuso só na indústria do entretenimento. É um problema que transcende local de trabalho, raça, cultura. Quero prestar um tributo às mulheres que suportaram anos de abuso e violência. Elas, como minha mãe, tinham contas para pagar, filhos para alimentar e sonhos para correr atrás. São mulheres com nomes que nunca saberemos. São trabalhadoras domésticas, profissionais de fazendas, fábricas, restaurantes, acadêmicas, militares.”

Aproveitando o momento fez questão de relembrar a história de Recy Taylor, uma mulher negra que, em 1944, foi sequestrada e estuprada por seis homens armados enquanto voltava da igreja. “Ela procurou justiça em uma época que não havia justiça. Recy morreu há dez dias. Ela viveu em uma cultura de homens brutais e poderosos. De pessoas que não acreditariam nela. Mas o tempo dessas pessoas brutais acabou”, disse, antes de ser aplaudida de pé pela plateia.

“Espero que Recey tenha morrido sabendo que a verdade dela, e de tantas outras mulheres atormentadas naquela época, foi ouvida. Eu entrevistei e interpretei pessoas que passaram por coisas horríveis na vida, e todas elas tinham a capacidade de manter a esperança por um dia melhor. Mesmo nas noites mais terríveis. Que as meninas assistindo esta noite saibam que um novo dia está chegando. Quando esse dia chegar, será por que muitas mulheres magnificas, muitas que estão aqui a noite, e homens fenomenais, lutaram para serem os líderes que conduziram esse tempo em que ninguém mais precisa dizer ‘me too’ (eu também)”, disse, lembrando o movimento online em que mulheres compartilharam casos de abuso com a hashtag #metoo.

 

Foto: Reprodução

Oprah Gail Winfrey

Oprah é uma das personalidades mais influentes da TV americana e também uma grande fonte de inspiração. Além de apresentadora de televisão, atriz e empresária, ela acumula múltiplos prêmios Emmy por seu programa The Oprah Winfrey Show – o talk-show com maior audiência da história da televisão norte-americana -, foi eleita a mulher mais rica do ramo de entretenimento no mundo durante o século XX e a primeira mulher negra a ser incluída na lista de bilionários, pela revista Forbes. Você quer mais? Dentre as mulheres mais ricas dos EUA – que fizeram fortuna por conta própria – ela é a única negra a estar entre as 20 primeiras posições, ocupando o 3º lugar.

Mas a história de superação dessa mulher vai muito além do fato de que ela precisou enfrentar a pobreza e o preconceito para chegar onde chegou. Oprah também teve que sobreviver a uma infância marcada pela violência sexual – estuprada aos 14 anos por um tio, quando engravidou e fez um aborto.

No início do Globo de Ouro, o mestre de cerimônias Seth Meyers fez uma brincadeira encorajando Oprah a concorrer contra Trump. Mas será que ela disputaria a Presidência? Muitos estão animados com as especulações dessa possibilidade. Embora nunca ter demonstrado interesse em disputar o cargo, seu parceiro de longa data sugeriu que ela poderia ser persuadida.

“Depende das pessoas”, disse Stedman Graham ao The Los Angeles Times. “Ela faria isso, absolutamente”.

“Ela lançou um foguete esta noite. Quero que concorra a presidente”, declarou Meryl Streep ao The Washington Post. “Não acho que ela tenha a intenção, mas agora ela não tem escolha”.

“Dormi pensando nisso e cheguei à conclusão de que Oprah (como candidata) não é tão louco”, tuitou Dan Pfeiffer, ex-conselheiro de Barack Obama, presidente para o qual Winfrey teve um papel importante em sua eleição de 2008.

Uma pesquisa realizada em março de 2017 pela Universidade Quinnipiac, que deu a Trump aprovação de 41%, mostrou que 52% das pessoas têm opinião favorável a Oprah.

 

 

 

 

 

 

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