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Alessandra Nascif: Lugar de mulher é na política.

Empoderar a mulher é uma expressão que vem se tornando cada vez mais usada e que, se transformada em ações concretas, pode mudar o lugar das brasileiras na sociedade. É nisso que acredita grande parte das mulheres na política, que luta para que seu profissionalismo e competência se destaquem entre a grande maioria masculina no mundo da política. Mas, afinal, qual é o lugar da mulher? É também na política?

Para a Executiva de Comunicação do Vice-Prefeito de Salvador Bruno Reis, Alessandra Nascif, “O lugar de mulher é onde ela queira estar. Inclusive na política, seja como protagonista ou em uma assessoria de destaque”.

Segundo a jornalista, os espaços reservados à mulher quase sempre foram impostos pelos interesses vigentes: quando não está em casa, cuidando do marido e das crianças, está no trabalho, ajudando a prover o sustento.

O mundo em que a gente vive penaliza a mulher por ela desenvolver a função considerada a mais nobre da ­humanidade: a maternidade. Mais recentemente, as mulheres passaram a ocupar postos-chave em grandes empresas e no serviço público. 

Para vocês conhecerem melhor essa mulher que vive por trás da comunicação política em Salvador, Alessandra entrou no nosso #ElasInspiram e falou um pouco sobre sua vida.

Confira: 

PD: Você trabalha em um meio formado, em sua maioria, por homens. Como é ser mulher na política?

AN: Trabalhar é preciso. O trabalho faz parte das necessidades humanas e surge junto com o próprio homem, que precisa trabalhar para sobreviver. E, assim como o ser humano, o trabalho também evolui. Pensando nessa teoria me apego na evolução masculina em relação a mulher, principalmente no âmbito político. Não posso falar que é fácil, ser mulher, ser assessora de um homem público poderoso, ser estereotipada como um rostinho bonitinho e que estou em destaque por indicação ou qualquer outro tipo de benefício. Mas, sei o que passei, o quanto me preparei e me preparo até hoje para poder atender a expectativa de um assessorado como o meu. Por incrível que pareça o mais complicado e triste nisso tudo é não ser reconhecida por pessoas e profissionais externos, pois são os primeiros que duvidam do preparo e competência de uma mulher na política, quando não se trata de uma parlamentar. Sou uma jornalista! Não sou política, os políticos são o meu alimento. Na minha profissão podemos construí-los ou derrubá-los. 

PD: Fale um pouco sobre o seu currículo.

AN: Para falar sobre minha formação não posso deixar de expressar minha paixão por política, independente do momento crítico que estamos vivendo. Minha área sempre foi comunicação apesar de meus pais sonharem com Economia ou Direito (risos), comecei com Moda, fui para Produção de TV e percebi que meu coração batia mais forte por Jornalismo. Por ter nascido de uma família política, essa influência foi muito forte na minha casa e acabei optando e me apaixonando por essa área. Esta área é cheia de opiniões que divergem desde o positivo ao negativo. Mas na verdade, o jornalismo e a política mantêm uma relação de amor e ódio. O jornalismo tem que falar sobre política porque é uma área importante da sociedade e a política precisa do jornalismo para ter voz no público, como propaganda.  E completando esse combinado escolhido por mim, acredito, aliás acho óbvio, que o jornalismo não tem o poder executivo, legislativo, e judicial, mas é ele quem decide e quem julga em praça pública, e isso pode influenciar as decisões dos tribunais, de outras instituições e muito das urnas.

PD: Nesse meio, subestimam a sua inteligência?

AN:  Já sofri alguns questionamentos por questões de aparência e idade. Há quem subestime a inteligência, o talento e qualidade do trabalho de uma mulher, principalmente se ela é tida como “bonitinha”, mas o resultado do meu trabalho quebra isso. Já está na hora de respeitar mais as pessoas, não estereotipá-las. No meu primeiro dia de trabalho ao lado do então Secretário da Prefeitura Municipal de Salvador, Bruno Reis, hoje Vice-Prefeito, pensei e falei, “é minha chance de ser o diferencial e provar pra mim mesma que sou capaz e o porquê me preparei tanto”. Então fica a dica: Quem vê cara não vê coração”.

Foto: Reprodução/Instagram

PD: Como você lida com o assédio?

AN: Quem nunca foi assediada?! O machismo em locais de trabalho não é novidade e, na área da Comunicação, principalmente na política, a situação não é diferente. Mas ter jogo de cintura uma postura profissional adequada ajuda e às vezes até inibe a tentativa. 

PD: Você se sente pressionada em relação às suas responsabilidades e às expectativas que colocam sobre você?

AN: Todo jornalista vive sob pressão e o político quase sempre. Como vivo nesses dois mundos estou adaptada a elas (risos). Mas confesso que às vezes realmente a pressão é sentida e precisamos dar um freio de arrumação. E quanto
às expectativas, prefiro não dar tempo do meu chefe tê-las em relação ao meu trabalho, procuro me antecipar aos fatos e solucioná-los antes que as tenha. Essa é minha função como executiva de comunicação, levar a solução antes do problema em minha área aparecer.

PD: A assessoria se assemelha à maternidade?

AN: De uma certa maneira, sim! (risos). Criamos um cuidado, carinho, respeito e preocupação por nossos assessorados. Uma vontade de proteger, ensinar e guiar os passos para o correto. Olhando por esse prisma vejo bastante semelhança.

PD: Em uma sociedade machista, sendo mulher e mãe de menino, quais são os ensinamentos que você passa ao seu filho?

AN: A educação dos filhos é um tema importante e necessário. Numa sociedade como a nossa, onde a violência contra a mulher atinge níveis exorbitantes, como usar a educação a nosso favor para ensinar os pequenos a não reproduzirem o machismo? Tento fazer minha parte com meu filho de oito anos, como, respeitar as coleguinhas, ajudar a mamãe em casa, não ter atitudes ou palavras violentas, não procurar revidar nenhum tipo de ação, pois a conversa é a melhor maneira de resolver os problemas. Mas o caminho é longo e vou pedindo ajuda aos mais velhos, aos livros e sem dúvidas pretendo torná-lo um homem com valores morais e respeitáveis. 

PD: Fale um pouco da sua rotina. Como é ser mulher em várias jornadas?

AN: A jornada tripla de trabalho é um problema social que sobrecarrega as mulheres de trabalhos múltiplos: em casa, no escritório, na reunião escolar dos filhos etc. Como resultado, temos o aumento do índice de depressão e infarto entre as mulheres e o prejuízo em diversas áreas da vida, sobretudo a saúde. No meu caso tento adequar muito essa situação, não é fácil, mas dividimos muito as tarefas em casa e respeitamos os momentos de cada um, com a única observação que o nosso filho sempre será prioridade independente de jornada dupla ou tripla de ambos.

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