papo_delas_logo

SIGA O PAPO NOSSO CANAL /PAPODELAS
sem_filtro

“Ele não responde WhatsApp”: o que é e quais as desvantagens do webnamoro

Com a tecnologia tomando tanto espaço na nossa vida, as redes sociais se tornaram parte dos nossos relacionamentos amorosos. Além de andar de mãos dadas e apresentar para a família, um parceiro precisa assumir o outro também em seu Instagram e no Facebook, trocar likes em fotos, deixar comentários fofos, responder mensagens no WhatsApp e enviar links e memes que os fizeram lembrar do par. Esse troca-troca é o que muita gente chama de “webnamoro”, ou seja, manter a dinâmica de um relacionamento mesmo pela internet. “As redes sociais se tornaram parte do ciclo das relações amorosas”, diz o psicólogo e doutor em neurociência do comportamento Yuri Busin à Universa.

“É uma nova forma de demonstração de afeto e, consequentemente, traz novos assuntos para brigas”.

A maquiadora Bárbara Paiva, 29, de São Paulo (SP), demorou para compreender o comportamento do namorado nas redes sociais. “Ele é muito reservado, então quase não as acessa”, conta. Por isso, no início do relacionamento de três anos, ela ficava muito incomodada com o fato de ele não publicar nenhuma foto dos dois juntos. “Parecia que ele não queria me assumir publicamente. Mas ele é realmente não usa Instagram”.

Segundo especialistas, está se tornando cada vez mais comum que casais procurem um terapeuta por discordarem do uso da internet. “São novos limites e linhas que não existiam no tempo em que nossos avós se conheceram. Naquela época, a vida social dele se resumia a se encontrar na praça ou na casa da mãe. Quando surgiu o telefone, os namorados se ligavam. Na era do WhatsApp, a coisa ficou ainda mais frenética”, diz a coach de relacionamentos e sexualidade Margareth Signorelli.

Você abre o Instagram e está todo mundo curtindo o dia na praia ou em uma festa bombada. Estão todos se divertindo muito mais do que você, não importa qual tenha sido o seu programa de fim de semana. Essa sensação de que a grama do vizinho é sempre mais verde também surge nos relacionamentos.

“Os casais começam a se comparar. Um vê que a amiga publicou uma foto com uma declaração de amor para o namorado e pensa que, por também não ter recebido uma, o parceiro dele não o ama tanto quanto aquele casal do Instagram”, reflete Busin. O psicólogo afirma que o hábito não é saudável para o relacionamento e pode causar ressentimento.

“Uma publicação no Instagram não mostra quem ama mais ou quem ama menos, porque na rede social a gente mostra uma vida maquiada. Não é a realidade do dia a dia.”

Curtida é traição?

Margareth pontua que o Instagram é a principal fonte de queixas porque o aplicativo dá uma sensação de que você está acompanhando a vida da pessoa em tempo real. “Você sabe absolutamente tudo sobre seu parceiro”, diz. A plataforma tem o “agravante” de ter se tornado uma maneira sútil de paquerar. “Muitas vezes um like faz com que a pessoa brigue com o parceiro como se ele tivesse dando em cima da pessoa. Mas nem sempre é isso”, comenta Busin. “Às vezes você curte uma foto porque a achou, ao todo, bonita, não por causa de quem está retratado”.

Comentários, no entanto, podem ser ainda mais desconfortáveis do que curtidas porque, dependendo do teor da mensagem, eles expõem o parceiro. “Por exemplo, se o cara vai lá e comenta na foto da amiga: ‘você está uma gata’, todos os 1 mil seguidores dela vão ver o homem elogiando outra mulher que não é a namorada dele”, diz Margareth.

A coach de relacionamentos e sexualidade lembra que, se você se deixar levar, a dinâmica do “webnamoro” pode ser uma armadilha. “A internet traz uma enxurrada de informações, tanto as que unem como as que separam um casal. Mas mais as que fazem as pessoas se separarem. São vários altos e baixos”, diz Margareth.

Yuri Busin lembra, no entanto, que as redes sociais não são vilãs dos relacionamentos, mas sim o amadurecimento emocional do parceiro. “Essa neura fala mais da insegurança da pessoa do que sobre o site. Antes ela sentiria esse ciúmes de um amigo, de uma pessoa que estivesse passando na rua”, diz o psicólogo.

De acordo com Margareth, o WhatsApp é, talvez, o único lugar onde as pessoas têm uma sensação de privacidade. “Isso se você não estiver com o celular do namorado na mão para tirar uma foto, pular uma mensagem e aquilo também não se tornar uma discussão”, afirma a coach de relacionamentos e sexualidade.

O mensageiro, no entanto, cria ansiedade nos parceiros porque já não sabemos esperar pelas coisas. É comum, então, as discussões começarem porque o namorado não responde as mensagens enviadas ao longo do dia. “Estamos em um momento de muito imediatismo, mas as mensagens são recados, não são uma conversa”, complementa Busin. “Antes de brigar, o parceiro precisa entender o contexto do companheiro, se ele está sempre com o celular na mão ou não, se o dia dele não está corrido”. “Talvez seja o caso de vocês chegarem a um acordo sobre qual seria a periodicidade de mensagens que deixaria ambos confortáveis”, complementa Margareth.

Diálogo fora do “zapzap” é a solução

A boa e velha conversa é o melhor dos remédios para um relacionamento, incluindo o webnamoro, de acordo com os especialistas. “É importante dizer o que você está sentindo e o que você precisa que o parceiro faça para que vocês cheguem a um acordo”, diz Margareth.

Busin complementa que é bom manter as guardas baixas e ter uma postura empática para lidar com a situação. “Tem muita gente que acha que esse tipo de discussão é ‘besteira’, mas a vida real e a virtual já estão muito entrelaçadas”, fala o psicólogo. “O que pode ser uma coisa nada a ver para você, é muito significativo para o outro.

O conselho vale, inclusive, para os “queixosos”. “Cada um usa a internet de um modo. Se a pessoa mal posta fotos, não se expõe nas redes sociais, não tem porque você tentar fazê-la mudar. Então talvez seja a hora de ceder e entender que seu parceiro nunca vai fazer grandes declarações de amor no Instagram”, finaliza Margareth.

Fonte: Universa

Insira suas palavras-chave de pesquisa e pressione Enter.