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Empoderamento feminino: conheça grupos que ajudam mulheres a programar

Não é novidade que as mulheres têm pouca representatividade no mundo da tecnologia. Mas isso não apaga a vontade que muitas tem de se envolver mais no mercado e aprender novas habilidades. Sendo assim, iniciativas feministas ao redor do mundo têm contribuído para que muitas mulheres aprendam sobre um determinado assunto tecnológico sob mentoria e orientação de outras ‘manas’. Nas comunidades, elas se sentem seguras para questionar, estimuladas para inovar e capacitadas para entrar no mercado de trabalho.

O PyLadies é um desses grupos que nasceu para mulheres compartilharem conhecimentos sobre Python, uma linguagem de programação simples, versátil e que pode ser aplicada para diversos fins e em muitas áreas diferentes. “Python é o que chamamos de linguagem alto nível, pois se aproxima mais da linguagem humana. É como uma poesia, você declama o código, lê e entende o que está acontecendo” explica Erika Campos, fundadora do grupo Pyladies de São Paulo.

O grupo oferece cursos de Python do nível mais básico até avançado. Todos são ministrados e monitorados por mulheres, e o melhor: são gratuitos. As alunas de um dia se tornam monitoras em outro e professoras mais para frente. Elas repassam conhecimento voluntariamente para outras mulheres contando apenas com o apoio das administradoras do grupo que desenvolveram a didática. “Ninguém ganha nada. Temos um pequeno faturamento com a venda de camisetas que é revertido para tinta da impressora, adesivos e demais materiais das aulas. Alguma meninas que se inscrevem nem tem computador, por isso emprestamos equipamentos ou pegamos emprestado de alguém. E os café são trazidos voluntariamente pelas próprias alunas. Trata-se de uma comunidade”, comenta.

O grupo nasceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, e logo se espalhou para outros países. Segundo o Wikipedia hoje já são mais de 40 grupos ao redor do mundo. Erika diz que cada grupo tem autonomia de trabalhar da forma que achar melhor e não existe um dono ou regras. O objetivo é apenas um: empoderar mulheres.

Foto: Reprodução

Na mesma linha, o CloudGirls é focado em dar autonomia às mulheres neste setor da tecnologia e em outros segmentos de TI. Segundo Ana Paula de Luca Diegues, arquiteta de sistemas sênior do Itaú e coordenadora do grupo, a comunidade (criada dentro da plataforma MeetUp) nasceu pois a frequência das mulheres em eventos de cloud era inferior a 10%.

“Historicamente, quando há ocupação masculina, há um esvaziamento da ocupação feminina. Criamos encontros que são ambientes seguros para as mulheres, onde não existe pergunta errada”, disse. “Temos um público bem abrangente, desde mulheres com bastante tempo de carreira no ambiente tradicional e está migrando pra nuvem, até mulheres que já atuam com cloud. Também tem mulheres que estão mudando de carreira e querem aprender mais”, finalizou.

Outros grupos como Rails Girls, Woman Who Code, Code Girl, MariaLab, Mulheres na Tecnologia e Meninas Digitais também nasceram para reverter a falta de diversidade no mundo da tecnologia e empoderar mulheres. Com eles, muitas profissionais conseguiram migrar de profissão ou iniciar uma carreira já na área.

Realidade do mercado

De acordo com a pesquisa Women in Tech 2018, grande parte das mulheres que trabalham como desenvolvedoras de software estão presas a cargos iniciantes. As informações constatam que as programadoras estão mais propensas a ocuparem cargos juniores em empresas do ramo independente da idade.

As mulheres da área que têm mais de 35 anos ocupam 3,5 vezes mais posições iniciantes do que homens da mesma idade. Outra revelação surpreendente do estudo aponta que 20,4% das profissionais continuam ocupando tais cargos, contra 5,9% dos homens da mesma faixa etária.

Já as desenvolvedoras entre 25 e 34 anos têm 1,78 vezes mais chances de ocuparem posições juniores. Isto significa que quase metade (46,1%) das mulheres da indústria está estagnada no nível iniciante em comparação com apenas 25,9% dos homens. Por fim, os mais jovens da área possuem uma desigualdade menor: 84,5% das mulheres entre 18 e 24 anos ocupam cargos iniciais, enquanto que para os homens a porcentagem é de 77,3%.

Futuro promissor

Apesar dos números desanimadores, o relatório destaca boas projeções para o público feminino da área, além de ampliar o horizonte no que tange a tão desejada igualdade de gênero: mais de 60% das entrevistadas afirmam terem competências em Java e JavaScript, e mais de 40% comentaram que conhecem as linguagens de programação C ++ e Python. Todas essas habilidades são bastante procuradas por empregadores, segundo um documento do mesmo estudo.

Além disso, as mulheres estão trabalhando em setores muito bem visados na indústria, com 10% delas empregadas no mercado de serviços financeiros e 3,6% ocupando cargos no setor automotivo.

Outra tendência é a diferença cada vez menor entre os gêneros que aprendem a programar com menos de 16 anos. O público feminino, por exemplo, tem 13,9% de programadoras com idades entre 18 e 24 que começaram a codificar quando ainda estavam na escola. Os homens, nesta mesma faixa etária, ocupam 20,9%.

Se você é mulher e vive essa realidade, conte para gente nos comentários. E caso esteja participando de alguma iniciativa de empoderamento feminino no mundo da tecnologia, compartilhe com a gente sua experiência.

Fonte: Canal Tech

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