Meu relato de parto

Por Mariucha Guimarães

Como sonhei com esse dia! Foram tantas as histórias que li. Histórias lindas e de superação, que me serviram de inspiração e empoderamento para essa decisão. E depois de ver tantas mulheres humildemente compartilharem suas histórias, não poderia deixar de publicar o nascimento de Luisinho.

Mas como começar um relato de VBAC (parto vaginal após cesárea) sem mencionar a cesárea vivida? Cesárea eletiva, não por mim, mas por uma médica sem escrúpulos que quis planejar a agenda do nascimento do meu primeiro filho. Fui avisada e pressionada dois dias que antecederam a cirurgia. O que ouvi? “Deixa de bobagem menina, senta direitinho pra anestesia pegar, se não vai doer muito na hora do corte… Parto é coisa de bicho!”. E esse mau gosto amargou cada dia mais à medida que obtinha mais informações.

Vontade do segundo filho já tinha e quando descobrimos a segunda gravidez foi mágico. Um novo ser me escolheu e com ele a vontade latente de parir! E esse parto era MEU! Equipe? Estava na ponta do lápis: Carolina Lube (primeira pessoa que conversei sobre parto natural), Marilena (Obstetra), Ana Boulhosa (minha doula) e Tanila (parteira).

As cólicas fortes chegaram dia 01 de novembro de 2015 anunciando a vinda do caçula. Hora de encher piscina, bola e arrumar a casa para a chegada do bebê. Apesar das contrações fortes, eu estava MUITO FELIZ em estar sentindo aquela dor. Como esperei por ela! Como me preparei para aquele dia! As horas já não importavam mais, não conseguia falar e nem ouvir as contrações. Mal abria os olhos. Pedi para abaixarem as luzes da casa… E “vai” pra chuveiro, agacha, senta, deita, levanta, bebe água, até que sentei na bola – de frente pra janela – e senti o ventooo. Ahhh! Que delícia! E de novo… Senta, agacha, levanta, grita, grita, grita, abraça marido.

Não enxergava mais nada. Apenas sentia! Senti meu filho em minhas entranhas. Senti ele descer a cada contração. Sabia onde ele estava exatamente a todo momento. Desejava a presença do meu marido e quando ele me tocava era pura ocitocina! Droga da boa! Ouvia a voz do meu primogênito pela casa e quando vinha até mim com sua voz doce, me embalava de amor! Senti a presença da minha comadre que me regava na banheira para aliviar a dor – mesmo sem conhecer nada de parto – foi instintiva, uma verdadeira “parteira”.

Agachei diversas vezes até o chão, e então a bolsa estourou. Foi como uma garrafa de champagne! Rs Opaaa… Bora voltar pra piscina! Os puxos vieram fortíssimos. Senti a cabeça sair. O corpo demorou mais, por que ele não fez a rotação. Respirei e Marilena só deu um empurrãozinho para que eu pudesse pegá-lo! Momento único! Eu consegui! Eu pari! Olhei para o meu filho e me senti uma super mulher! Eu não chorei, apenas sorri e agradeci.

Pari sem intervenções, sem medicamentos, sem cortes e sem pontos! Senti dor? Sim, mas não sofri. Nesse dia entendi, com muita clareza, que sofrimento e dor são absolutamente diferentes quando o assunto é parir. E que mais mulheres precisam ser apoiadas e encorajadas em suas decisões.

Trabalho de Parto ativo – 6 horas.

Fotos: Kuara fotografias e Maína Diniz

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