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“Fui chamada de patricinha em Brasília por exigir meus direitos”, diz Tabata Amaral

Em Janeiro, Tabata encontrou filho de deputado morando irregularmente em seu apartamento na capital. Aqui, ela fala com exclusividade sobre o ocorrido.

No dia 31.01, Tabata Amaral chegou a Brasília para assumir sua cadeira de deputada federal por São Paulo [ela foi eleita com 264.450 votos em outubro] e foi surpreendida com o filho do deputado Hildo Rocha (MDB-MA) morando irregularmente no apartamento funcional para o qual foi sorteada pelo Governo.

Em entrevista para a Glamour, Tabata falou com exclusividade sobre o ocorrido e revelou ter sido chamada de patricinha por exigir seu apartamento, uma vez que não tinha dinheiro para pagar um hotel: “O que senti foi uma mistura de sentimentos. Primeiro, me vi impotente. Depois, me lembrei das milhares de pessoas [eleitores] que me levaram para Brasília e entendi, de fato, que o ocorrido era errado, antiético, imoral. Quando fiz a denúncia, uma galera foi junto contigo e me deu a maior força. Por outro lado, tiveram pessoas – acho que sem propósito nenhum na vida – que me chamaram de patricinha. Estas, não conseguem entender que alguns, como eu, não conseguem se sustentar em Brasília sem salário. Não entendem que eu não posso ir para um hotel, pagar a diária do meu bolso e, depois, pedir reembolso porque esse dinheiro não existe na minha conta”, diz. “Não conseguir pagar um hotel do meu próprio bolso faz de mim uma patricinha? A verdade é completamente o oposto. Vir para Brasília de onde eu venho [Tabata é da Vila Missionária, comunidade carente de São Paulo] traz uma carga de coisas junto”, complementa.

Tabata, que conseguiu um apartamento provisório com a Câmara, diz não saber como e nem quando as coisas vão se resolver. “Estou em um apartamento temporário que a Câmara conseguiu para mim, mas não sei como as coisas vão se desenrolar. No dia 04 de Fevereiro, entrei com um inquérito na Comissão de Ética [contra o parlamentar], porque por mais que eu ouça ‘isso não vai dar em nada, que vai demorar muitos meses’, tenho que fazer meu papel e formalizar a denúncia.”

Além do apartamento, Tabata contou que foi barrada na entrada da Câmara dos Deputados vááárias vezes por “não se parecer com uma política”. “Alguns episódios me mostraram o quão estranho é para as pessoas verem uma política jovem em Brasília. Certa vez, estava acompanhada de um jornalista que vestia shorts [tipo de roupa que é proibido usar na Câmara] e portava um microfone. Os seguranças nos barraram e o jornalista de shorts era, para eles, o deputado e não eu. Quando os corrigi, dizendo que a parlamentar era eu, eles não acreditavam e pediam para conferir meu crachá”, conta.

Tabata Amaral (Foto: redação)
Sororidade na Câmara dos Deputados existe?
Apesar de tudo, a deputada garante que sim. Ela, que participou da sua primeira votação [a para Presidente da Câmara] na última quinta, 31.01, contou que encontrou vários técnicos e políticos em Brasília muito dispostos a ajudá-la. “Encontrei pessoas maravilhosas que estão me ensinando sobre o regimento parlamentar e, durante a votação, me explicaram tudo o que estava acontecendo. Tem gente bacana, sim, e muita coisa para aprender – e isso é o que me motiva”, diz.Tabata também contou que a família viajou até a capital federal para encontrá-la e auxiliá-la neste início. “Mesmo com todos os ocorridos, estou muito feliz e não gostaria de estar em nenhum outro lugar do mundo. Meu caminho aqui não vai ser fácil. Será emocionante, com muita coisa para fazer, mas fácil ele não será. Mas, vamos lá, afinal, é por isso que estou aqui, né? Para lutar.”

Fonte: Glamour

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