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Jéssica Senra: Audiência além da aparência.

Que mulher lhe inspira? Por incrível que pareça, às vezes não se tem um nome na ponta da língua, uma mulher empoderada e forte que não lhe deixa ter dúvidas. Claro que todos podem pensar nas mulheres de suas vidas – mãe, irmã ou até mesmo uma personalidade.

Procuramos uma pessoa pública que pudesse ser uma voz de liberdade e esperança na vida de mulheres que sofrem pelo simples fato de serem mulheres. Lembramos então da história de Jéssica Senra.

Jéssica foi responsável desde muito cedo por sua vida profissional e por atrair a atenção para o lugar da mulher no jornalismo, principalmente na TV. Ao fazer isso, quebrou paradigmas, sendo hoje líder de audiência em um programa popular na Bahia, onde até pouco tempo era dominado por homens.

Será que foi difícil?

Confira mais um “Elas inspiram” no #PapoDelas com Jéssica Senra. 

Logo no início da entrevista ficou claro como a jovem talentosa batalhou, estudou e passou por diversas barreiras para chegar onde se encontra hoje. Enfrentou obstáculos, estudou e se profissionalizou com as ferramentas que tinha no momento, já que começou muito cedo a trilhar sua vida, sabendo o que exatamente queria. Hoje ela é Jéssica Senra, uma mulher admirada e que defende os direitos de mulheres, que assim como ela, lutam e lutaram para serem o que são: Incríveis! Independente de raça, cor, religião, formação ou estética. 

Ao falar em sua carreira e no momento de vida profissional atual, Jéssica relata;  

Foto: Reprodução

“As mulheres já conquistaram bons espaços na televisão, mas estamos longe do ideal. Eu, por exemplo, hoje apresento um programa jornalístico popular, que sempre foi território exclusivo dos homens. Aos poucos, vamos mostrando nossa capacidade, mas, via de regra, a mulher na TV ainda ocupa um papel semelhante ao que se entende por nosso lugar na sociedade – o de servir ao homem. Neste caso, ser um objeto belo para ser apreciado. Sim, há uma exigência estética geral na TV, mas para o homem há mais flexibilidade para estar acima do peso, com mais idade ou não corresponder aos padrões. A mulher na TV, antes de ser competente, tem que ser bela. E muita gente acha que falar da beleza é o melhor elogio que se pode fazer à mulher. É legal se sentir bonita, mas nós queremos e somos mais. Com tudo o que conquistei, por exemplo, ainda gostam de se referir a mim como “a bela das manhãs”. Ora, eu não sou líder de audiência há dois anos por causa dos meus belos olhos! Eu sou bem informada, tenho opiniões, coragem, sei me comunicar com meu público… Ofereço muito mais que minha aparência! Alguém se refere aos meus colegas homens como “belo da tarde”? E veja que muitos programas ainda objetificam a mulher, como se ela fosse apenas um pedaço de carne, objeto sexual. Vide os inúmeros programas que mostram mulheres semi-nuas e rebolativas. É uma pena que muitas mulheres ainda se submetam a isso. Recentemente, vimos o caso de uma entrevista absurda num programa de esportes que fazia perguntas de duplo sentido à musa do time do Goiás. Graças a Deus, o programa foi tirado do ar. Não há mais tolerância para esses absurdos”.

Apresentadora da RecordTV Itapoan desde 2011, a jornalista está vivendo o que parece ser o seu auge. Âncora do matinal Bahia no Ar, hoje ela é responsável pela maior audiência da RecordTV na faixa matinal no País.

Durante o #Papo a apresentadora se emociona e fala de quem sempre foi sua força e inspiração. 

Jéssica Senra e sua mãe Rita. (Foto: Acervo pessoal Jessica)

“Fui educada, mesmo sem saber, por uma feminista. Minha mãe nunca usou este termo, talvez nem ela saiba o que é feminista, mas desde criança ela se queixava das diferenças no tratamento de meninos e meninas. Seus irmãos eram autorizados a fazerem certas coisas que ela e as irmãs não poderiam. E ela se rebelou quanto a isso a vida toda! Meus pais se separaram quando eu era bem pequena e fui criada por uma mãe que voltou ao mercado de trabalho e se dividia entre os papéis de mãe e pai dentro de casa e de profissional na rua. Nunca aceitou ficar em um lugar imposto pela sociedade – seja o da esposa infeliz que aceita tudo do marido, o da mulher frágil e dependente ou da profissional que só pode chegar até um patamar. Me lembro de inúmeras vezes, o pneu do carro furar e minha mãe descer para trocar. Era ela quem trocava lâmpadas, desentupia as pias de casa e todas essas coisas que supostamente seriam coisas de homem. Minha mãe sempre fez os papéis de mulher e de homem com igual habilidade e sempre foi extremamente carinhosa e amorosa comigo e meus irmãos. Mulher batalhadora mesmo, retada, forte. Nunca tinha pensado sobre isso, mas acho que minha força e a descoberta pelo feminismo vem daí”.

“Como alguém tão jovem pode ser capaz de tanta bravura?” foi o que pensamos. Sua coragem em busca por ser uma profissional acima de gêneros nos fez pensar em quais valores devemos propagar em nossas vidas. Ao isolarmos em nossas bolhas de ignorância e intolerância, esquecemos de milhares de mulheres que ainda vivem oprimidas pelo machismo e preconceito. Jéssica, sem perceber, viveu e combateu isso inúmeras vezes e acreditamos que ainda combate. 

Confira a entrevista na íntegra em #PapoSério

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