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Lua Fonseca: Uma mãe no processo de descobrir as novas formas de educar os filhos

Ela é mãe de quatro, educadora e especialista em parentalidade positiva. “Educar cansa mesmo. A gente precisa entender que vai errar. E isso é um processo de tomada de consciência muito forte.”

 

Numa sala cheia de mães e pais, muitas vezes inseguros se estão ou não na direção certa na educação dos filhos, ela diz confiante: “não é sobre fórmulas prontas, é sobre encontrar seu caminho”. Aquela mulher de voz firme, cabelos pretos, sorriso largo e olhar acolhedor, é Lua Fonseca, 36 anos, mãe de quatro, educadora parental e especialista em parentalidade positiva. Depois de passar pelos próprios processos dentro da maternidade, ela foi atrás da quebra de paradigmas e de velhos conceitos em busca do equilíbrio na criação dos filhos com afeto e respeito aos limites.

A mãe de João, de 9 anos, Irene, de 5, Teresa, de 4 e Joaquim, de 1 ano, passou por diversos caminhos até se encontrar. Com a maternidade, a publicitária passou a se questionar sobre o que a movia e no que queria fazer a partir dali. Tentou vários caminhos, fez cursos, criou um blog e passou a dividir suas vivências maternas no instagram. “Eu vinha numa busca muito forte já quando cheguei em Brasília há dois anos e entrei em contato com o universo feminino de uma forma muito forte e comecei uma iniciativa de formar redes e mediar conversas com mulheres me fez muito bem e querer ir além”.

Ouvir mulheres, ouvir suas histórias, demonstrar compaixão às suas dificuldades, isso me fez olhar para o lugar do cuidar de outras mulheres e foi muito importante descobrir isso.

Foto: Reprodução

Ela considerou cursar psicologia, mas acabou encontrando em cursos sobre parentalidade positiva como chave para a porta que queria abrir em seu caminho como profissional, e capaz de orientar pais e mães em busca de equilíbrio no mundo moderno, cheio de extremos entre criação mais tradicional e outra mais liberal. “Eu encontrei essa formação que me deu uma chancela para desenvolver o trabalho que eu queria, um ‘sim’ eu posso falar sobre isso”. Ela fez formações no Brasil e recentemente foi até Portugal fazer uma pós-graduação em educação positiva.

Encontrei na parentalidade positiva uma proposta muito parecida com a que eu vivo na minha vida, de entender meus filhos e cultivar as relações de firmeza e gentileza.

Foto: Reprodução

Quando ela se tornou mãe pela primeira vez há nove anos, não tinha dimensão de qual direção iria seguir, muito menos como seria sua maternidade. “A Lua, mãe só do João, tinha uma inocência e até uma certa ignorância, que me protegeu de um monte de coisa, porque eu não pertencia à nenhum grupo, não pensei em que mãe eu queria ser, tive uma cesárea e não sofri com isso. Já a mãe que eu sou hoje com mais três filhos é outra, muito mais atenta aos meus filhos e aos seus processos individuais de cada um”, conta.

A mãe moderna, no entanto, segundo Lua, vive em torno de uma enxurrada de informações e escolhas que acabam sendo difíceis e pesadas pra muita gente, especialmente para as mulheres. “Gera muita ansiedade, especialmente, se você não é aquela pessoa que está naquele manual de perfeição, é difícil de bancar quando você vai viver na prática. Encontrar um equilíbrio e ser quem você é acaba sendo um grande desafio”.

Educar cansa mesmo. A gente precisa entender que vai errar. E isso é um processo de tomada de consciência muito forte.

Foto: Reprodução

A educação positiva promove a firmeza com amor. “Precisamos pensar nos nossos filhos como rios, e a água precisa de margem. Quem dá esse limite somos nós. Se apertar demais, ele resseca, se deixar aberto demais, ele transborda”, aponta Lua. Para os pais muito liberais a palavra disciplina assusta, enquanto para os mais tradicionais, é essencial, para a educadora perinatal é uma questão de aliar as suas orientações com gentileza.

As pessoas buscam filhos perfeitos. Mas ele é um ser em formação e você é também é uma pessoa com defeitos e fraquezas. Meu trabalho é fazer as pessoas olharem pra isso.

Foto: Reprodução

Quebrar paradigmas e, em especial, com a educação tradicional da punição e do castigo, da falta de diálogo é um caminho difícil, segundo Lua, mas também é um modelo que não se sustenta mais. “As crianças mudaram muito e numa velocidade muito rápida. Eu não posso achar que uma criança de 13,15 anos vai simplesmente me obedecer, eu preciso estabelecer um vínculo para quando ela crescer não queria simplesmente fugir de casa e não ter conexão com os pais. Precisamos praticar a tolerância com nossos filhos”, aponta.

 

Fonte: HuffPost Brasil

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