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MC Diguinho de “leve” não tem nada.

MC Diguinho lança música que pode ser considerada o hit do carnaval 2018 e ela se chama “Só Surubinha de Leve”, acredite. Se você ainda não ouviu, não está perdendo nada.

O cantor surgiu em 2010 com o single “Se Concentra e Senta”. Logo depois vieram outros “sucessos” – se é que podemos chamar assim – titulados “Tá Tarada” e “Encosta Nela e Sarra”. Para completar a lista MC Diguinho lançou no ano passado a música “Só Surubinha de Leve”. Sim, é exatamente o que você leu – Só Surubinha de Leve. Se é constrangedor ler, imagine ouvir.

Estamos apenas na terceira semana de 2018 e a apologia à violência sexual contra a mulher estampa mais uma vez o topo das paradas. A música possui trechos como “Taca a bebida, taca a pica e abandona na rua” e “Pode vim sem dinheiro, mas traz uma piranha, aí! Brota e convoca as putas.” 

A música é um explícito convite ao estupro coletivo e já alcançou 14 milhões de visualizações no Youtube. Nos perguntamos: tem gente gostando disso? O Spotify já retirou a música de sua plataforma, afinal, após a polêmica nas redes sociais ficou praticamente impossível abafar o caso.

Em publicação no Facebook, Yasmin Formiga, uma estudante da Paraíba, protestou segurando um papel com o trecho da música.

Publicação foi compartilhada por todo país. (Foto: Reprodução/Facebook)

“Sua música ajuda para que as raízes da cultura do estupro se estendam. Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua”, escreveu a estudante em sua rede social.

“Só Surubinha de Leve” é uma agressão, assim como um incentivo ao estupro e ao sexo não consensual; uma vez que alcoolizar alguém para transar foge completamente do termo “consensual”.

Na última quarta-feira (10) o estado do Rio de Janeiro sancionou uma lei proibindo a veiculação de propaganda “misógina, sexista ou estimuladora de agressão e violência sexual”.  A lei cita como proibição a “exposição, divulgação ou estímulo ao estupro e à violência contra as mulheres”, além de “fomento à misoginia e ao sexismo”.

A música, que muitas vezes é uma manifestação artística e cultural, tem um grande poder de influenciar comportamentos. Com seu potencial de viralização, também não deveríamos estar preocupados com o que ela incentiva? Se uma propaganda pode ser interpretada como sexista ou estimuladora de violência sexual, uma música também não deveria ser?

O ano mal começou e já percebemos que daqui para frente muita coisa não vai passar (ou tocar) mais.

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