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O amor pode nos salvar por se tratar do sentimento mais nobre

Procura-se um amor, na vida real ou em um romance, afinal, em tempos de relacionamentos rasos, achar um amor de verdade parece até impossível. Nos vemos mergulhados numa maré de desilusão que ler um livro, e viver nele uma história de amor, nos traz esperança. Aquele pensamento de que “essa história poderia ser minha”. E por que não? Ler é uma maneira de viver outras vidas, escrever então, é como dar vida às fantasias.

Foi pensando nisso que no dia do escritor convidamos Chris Melo, autora de seis famosos romances, para um papo sobre amor.

PD – Chris, conta pra gente um pouco da sua vida, de onde você veio, onde nasceu, sua formação e as coisas que você fez até chegar onde chegou.
Chris Melo – Sou paulistana, formada em Secretariado Executivo, Letras, Língua Portuguesa, Roteiro de Cinema e mais uma porção de coisas, o que comprova minha jornada extensa e variada até descobrir que ser escritora era o meu caminho. Escrever sempre foi algo orgânico em mim, nunca uma profissão a ser seguida ou um objetivo a ser conquistado. Talvez por isso continue sendo um caminho muito natural.

PD – Por que você escolheu essa profissão? Como você sente que a mulher é vista nessa área?
Chris Melo – Na verdade não escolhi. Escrevi um livro motivada pelo desafio, pois antes de escrever Romances escrevia crônicas em um blog. Um dia, imaginei se conseguiria escrever tanto sobre uma única história e, bem antes da metade do livro, me descobri emaranhada com a trama, totalmente envolvida. De lá para cá são sete anos e alguns livros publicados e, embora, haja muitas mulheres no mercado atual, a maioria de grande sucesso, a verdade é que mulheres que falam sobre gente, seus dramas e romances sempre serão estarão à margem. Tanto homem quanto algumas mulheres consideram nossa escrita como uma literatura menor, como se o tema definisse a questão artística e não a forma e, sobretudo, o conteúdo.

PD – De onde vêm suas ideias? Existe algum conjunto de hábitos que você cultiva para se manter criativa?
Chris Melo – Adoraria dizer que sim, mas a verdade é que a minha vida é caótica. Tenho duas filhas e outro emprego, por isso, a escrita acontece entre uma coisa e outra. O maior combustível da minha ânsia por escrever vem da minha capacidade de reflexão sobre tudo. Sou uma pessoa que pensa muito mais do que fala, isso me ajuda a acumular questões que são resolvidas apenas no papel.

PD – Você escreve romances, porém você se julga uma pessoa romântica? O que é o amor para você?
Chris Melo – Interessante que as pessoas mais próximas a mim jamais diriam que sou romântica, pois na verdade sempre fui uma pessoa muito prática e péssima em demonstrar sentimentos. Contudo, isso não é contraditório, pois o amor está bem longe de flores e chocolates, o amor é parte do humano e nossos laços afetivos são parte de nós, influenciam nas nossas decisões e estilo de vida. Acredito que priorizar falar de amor é escolher um caminho bonito, não fácil. Assim como é vivê-lo de fato.

Foto: Divulgação

PD – Como é colocar tanto amor no papel em uma era tão digital?
Chris Melo – Sempre digo que alguém tem que plantar flores no mundo e é assim que realmente me sinto. É uma missão bonita lembrar às pessoas que o amor pode nos salvar por se tratar do sentimento mais nobre de todos.

PD – Em uma de suas entrevistas você cita que sua escrita é intimista e que toda experiência influencia o seu trabalho, porém você já viu esses papéis se inverterem? A ficção interferir na sua vida real? Se sim, nos conte um pouco.
Chris Melo – Sim, a cada livro me sinto mais madura, mais empática por viver dilemas que não estão no meu cotidiano, mas são sentidos por mim de forma real. Aprendo com os meus personagens, pois eles me obrigam a ver situações fora da minha própria realidade e tomar decisões dentro de uma perspectiva, muitas vezes, distante da minha.

PD – Você acha que o seus livros influenciam na forma das pessoas se relacionarem, projetando comportamentos ou ajudando elas a entenderem as diferentes formas de amar?
Chris Melo – Jamais teria essa intenção ao escrever, seria um peso muito grande, mas depois que o livro é publicado, ele ganha dimensões muito maiores do que eu. Cada leitor traz sua experiência de vida ao ler, o que intensifica a experiência de leitura. Por esse motivo, minhas palavras ganham cunho pessoal e podem servir de consolo, companhia ou dão voz a muitos sentimentos até então inexplicáveis. É um encontro que não pode ser explicado, só entende quem o sente.

PD – Por que você acha que as mulheres são as maiores consumidoras de livros de romances? E qual é a relação do público masculino com o seu trabalho?
Chris Melo – Primeiramente, porque de forma geral, as mulheres leem mais. Além disso, elas se permitem experimentar gêneros diferentes. Tenho leitores homens bem presentes e apaixonados pelos meus livros, e acredito que teria muito mais se as pessoas não se apegassem tanto ao termo “literatura de mulherzinha”. Livros são para humanos, falam sobre gente e possíveis vivências, você pode se divertir ou se emocionar com uma variedade incrível de livros, pode se encontrar em qualquer um deles. Preconceito literário é mais um dos atrasos da humanidade.

Foto: Divulgação

PD – Para quem já leu uma das suas obras ou até mesmo um pequeno trecho dos seus romances, é impossível negar a intensidade que você coloca nos diálogos e enredos. De onde você tira tanta inspiração?
Chris Melo – Só sei ser assim. Só sei colocar tudo de mim e tudo o que sinto no papel. Comunico melhor escrevendo, sinto melhor escrevendo, sou melhor escrevendo e, confesso, que não sei explicar de onde isso vem, apenas sei que é um pequeno pedaço do mundo que me pertence: eu e o papel.

PD – Como é escrever sobre o amor em tempos de guerra? Afinal, assim como a informação o amor parece estar mais difícil e mais efêmero.
Chris Melo – A guerra, as atrocidades, a maldade e as coisas vis sempre fizeram parte da história da humanidade e o amor também. Onde há bombas caindo, há uma barraca da cruz vermelha socorrendo, onde há fome há inúmeros voluntários tentando ajudar, onde há dor há consolo. A ganância, a loucura e o ódio estão nos humanos e o amor também. Não sei o motivo das pessoas enxergarem tão facilmente as dores e não com tanta facilidade as coisas boas, mas sei que essa Terra é habitada por tiranos e também por pacifistas e que nós precisamos parar de renegar a benevolência e o amor como se isso fosse fraqueza.

PD – Se você fosse escrever uma carta ou mandar um bilhete de amor para alguém, com qual personagem você assinaria? E porquê?
Chris Melo – Com a Elisa, ela é escritora e viveu o maior amor do mundo, acho que me ajudaria bastante nisso. (risos)

PD – Qual mensagem você deixaria para as pessoas que não acreditam no amor?
Chris Melo – Não acreditar no amor é como não acreditar na tristeza ou no medo. É renegar uma parte de você. Não faça isso, se aceite inteiro, complexo, intenso. Todos os sentimentos habitam em nós, não ampute o maior deles. Seja!

Foto: Reprodução

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