papo_delas_logo

SIGA O PAPO NOSSO CANAL /PAPODELAS
sem_filtro

O que é ‘inteligência erótica’ e como podemos desenvolvê-la

Esther Perel é uma terapeuta de casais belga, que vive em Nova York. Na pesquisa para o meu último livro, Novas Formas de Amar, entrei em contato com suas ideias quanto à falta de desejo sexual, tão comum nas relações estáveis. Ideias muito parecidas com as minhas, mas raras de se encontrar em outros profissionais da área. Uma de suas paciente lhe disse: “A bondade dele me faz sentir segura, mas quando penso na pessoa com quem quero sexo, segurança não é o que procuro.”

A seguir, uma síntese de suas ideias sobre o tema. Ela considera que o marido da paciente é muito gentil sim, mas não excitante. É tudo muito afetuoso, muito aconchegante, só não é sensual. É o que se chama de “amor confortável”. A afeição, os elementos de proteção que alimentam a vida do lar podem ir de encontro ao espírito rebelde do amor carnal. Frequentemente escolhemos uma cara-metade que nos faz sentir gostados; mas após o encanto inicial, descobrimos que não podemos sexualizá-la.

Uma relação segura realmente nos dá coragem para seguir nossas ambições profissionais e buscar o que nos causa interesse. Mas rejeitamos a ideia de estabelecer distância dentro da relação em si – o próprio lugar que, em princípio, nos faculta a deliciosa união. Podemos tolerar espaço em qualquer lugar, menos ali. Razão, compreensão, compaixão e camaradagem são os elementos que favorecem uma relação próxima e harmoniosa.

Mas o desejo sexual não obedece às leis que mantêm a paz e a satisfação entre os parceiros. O sexo muitas vezes evoca antes obsessão irracional do que discernimento atencioso, e desejo egoísta do que consideração altruísta. Agressão, coisificação e poder existem à sombra do desejo, componentes da paixão que não necessariamente alimentam a intimidade. O desejo atua em sua trajetória própria.

Desejamos criar intimidade em nossas relações, preencher a lacuna que há entre nós e nosso parceiro, mas ironicamente é essa mesma lacuna entre o eu e o outro que é a sinapse erótica. Para trazer sensualidade para casa, precisamos recriar a lacuna que fizemos tanto esforço para preencher.

Inteligência erótica é criar distância, depois dar vida a essa lacuna. Em vez de sempre procurar intimidade a qualquer preço, os casais talvez possam estar em situação melhor cultivando suas individualidades, acredita Perel.

Por: Regina Navarro Lins

Insira suas palavras-chave de pesquisa e pressione Enter.