papo_delas_logo

SIGA O PAPO NOSSO CANAL /PAPODELAS
sem_filtro

O que o caso Dr. Bumbum pode nos ensinar

O recente caso do procedimento estético realizado pelo médico Denis Furtado – conhecido nas redes sociais como Doutor Bumbum – que vitimou fatalmente a bancária Lilian Calixto, levantou uma questão cada vez mais presente em nossas vidas: até onde somos capazes de ir na busca pelo “corpo perfeito”?

É fato que somos regidos por ideais culturais, sociais e padrões estéticos cada vez mais exigentes. Nunca estamos satisfeitos, e então iniciamos uma corrida desenfreada e sem limites onde a linha de chegada muitas vezes é um lugar do qual já não podemos mais voltar.

Lembremos do caso da ex-modelo e apresentadora Andressa Urach: ela realizou 14 cirurgias em um período de quatro anos, gastando mais de R$1 milhão de reais em todas elas. Em sua última tentativa, adquiriu uma infecção ocasionada pela aplicação de hidrogel nas pernas. Ficou em estado grave, respirando com ajuda de aparelhos. Felizmente, conseguiu se recuperar.

Já no caso de Lilian, o desfecho foi outro. Após realizar o procedimento na casa do médico – sim, na casa dele – a bancária passou mal e deu entrada em um hospital, morrendo horas depois.

A família da vítima diz não acreditar que ela soubesse dos riscos que corria, uma vez que, segundo eles, ela era muito preocupada com a sua saúde. Isso nos faz refletir sobre o quão devastadora é a imposição sobre o ideal de perfeição, pois, até mesmo pessoas esclarecidas parecem ser presas fáceis quando o assunto é “qualquer coisa que, como mágica, me deixe mais bonita”. O fato do médico ter quisto realizar o procedimento dentro de sua própria casa, sem os aparatos necessários para realizar a intervenção com o mínimo de segurança já não seria um item alarmante sobre a sua real capacidade de fazê-lo? Não. Não para quem está  desesperada por uma solução.

Foto: Reprodução

Solução de quê? Onde está o problema?

Não está nos corpos. Está na indústria da perfeição que lucra todos os dias com a nossa interminável insatisfação de sermos quem somos. Vidas estão sendo ceifadas, crianças estão se suicidando por se acharem feias, mulheres estão mergulhando em transtornos psicológicos muitas vezes incuráveis.

A verdade é que a gente nunca acha que algo de ruim vai acontecer conosco. Parece sempre ser “história de telejornal” ou “matéria de site sensacionalista”. Antes fosse. Mas casos como esse se multiplicam a cada dia.

Recentemente, a youtuber Camilla Uckers, de 26 anos, realizou duas cirurgias plásticas em um só dia: rinoplastia e implante de prótese nas nádegas. É válido ressaltar que ela tinha 37 quilos antes de se submeter às intervenções. O resultado? Seu corpo rejeitou a prótese e ela teve sérias complicações, adquirindo uma infecção generalizada e ficando sem andar por um tempo devido à uma afetação no nervo ciático. Hoje, Camilla se recuperou, mas segue em tratamento, utilizando uma bota que permite que ela se locomova melhor.

O mais doentio é que, após todos os problemas, Camilla disse que não conseguia se olhar no espelho sem a prótese.

A sensação que temos é de que nada mais importa a não ser inserir-se no padrão. Se não consigo ser “assim”, não sirvo pra nada. Não sou ninguém. Por isso, paga-se qualquer preço. Arrisca-se até a vida, pois se não for pra vivê-la dentro de um corpo perfeito, ela também não importa.

A corrida desenfreada a que me referi no começo do texto, mesmo com todos esses exemplos, continua. Porque a indústria da insatisfação é severamente munida com armas poderosas que nos cercam por todos os lados, e se nós mesmas não fizermos o exercício e cometermos o ato de rebeldia de nos amarmos, seremos sempre as suas vítimas.

Por fim, se antes me perguntava: “aonde vamos parar?”, hoje, receio perguntar: será que algum dia conseguiremos parar?

Insira suas palavras-chave de pesquisa e pressione Enter.