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Paixão ou tesão? Entenda se está rolando sentimento ou só atração sexual

Matéria retirada do UNIVERSA UOL

Quando a paixão pega de jeito, não há quem escape da fixação: querer ficar junto o tempo todo, só pensar em beijar, abraçar, transar… A sensação arrebatadora (que parece nascer no estômago) domina por completo, dos pés à cabeça. Para complicar um pouco, a descrição de tesão também envolve desejo e sexo. Mas, ainda que você ache que é tudo uma coisa só, esses dois sentimentos são destintos. E, acredite, conhecer suas diferenças pode mudar o seu jeito de se relacionar e, principalmente, a sua vida sexual.

A boa notícia é que vivemos um momento que a ciência se desdobra para entender a paixão. Psicólogos, antropólogos, sociólogos e historiadores têm voltado suas pesquisas para o tema e descoberto informações que nos ajudam a desvendar o que é paixão e o que é tesão.

As borboletas na barriga

Mas afinal, o que é paixão? Segundo o psicoterapeuta Vitor Paese, trata-se de uma manifestação emocional, que vem a partir de um interesse imaginativo, mental, sobre alguém ou sobre algo – afinal, podemos nos apaixonar por coisas também, como trabalho, profissões, pensamentos, filmes, músicas… Quando alguém se apaixona, deposita uma séria de atributos emocionais na outra pessoa, há um certo encantamento e fantasia envolvidos.

“O apaixonado é muito intenso, tanto que fica devaneando, mirabolando possibilidades de encontro. A todo momento, se vê realizando atos, beijando, no ato sexual, imaginando-se passar a vida toda com aquela pessoa”, explica.

Fatos embasados

O primeiro estudo científico sobre a paixão, feita há 40 anos pela psicóloga estadunidense Dorothy Tennov, concluiu que ela é sentida igualmente por todo mundo. Na presença do objeto da paixão, as 400 pessoas analisadas tiveram o mesmo sintoma: frio na barriga, coração acelerado, noites mal dormidas e falta de apetite.

Biologicamente falando, o cérebro de um apaixonado libera dopamina e norepinefrina em grandes quantidades, segundo a pesquisa recente feita pela psiquiatra italiana Donatella Marazziti, da Universidade de Pisa. A dopamina é conhecida como neurotransmissor do prazer, já a norepinefrina é um composto orgânico que influencia humor, ansiedade, sono e alimentação.

No organismo de um apaixonado, há também um excesso de adrenalina, hormônio que nos faz ficar em estado de alerta e estremecer quando vemos a pessoa por quem estamos encantadas.

À flor da pele

O tesão está estritamente ligado à atração sexual. “É uma expressão mais carnal do desejo. Tem uma característica muito mais corporal do que mental”, explica Vitor. É claro que a questão corporal e mental se funde e, geralmente, é muito difícil falar ou é isso ou aquilo. Para complicar um pouco mais, a dopamina (presente na paixão) também é liberada nos momentos mais quentes, assim como a oxitocina, hormônio que aumenta a confiança e os laços íntimos.

Ficou confusa? Então tenha sempre em mente que o tesão é essencialmente a excitação e a vontade do sexo. Só, mais nada. “O tesão tem uma associação muito química. O cheiro, o odor, a presença um do outro, o período em que cada um está. No conjunto da obra, esses componentes tornam o momento do tesão mais intenso”, com o psicoterapeuta. Já a paixão é um processo mental que também tem base orgânica e suscita muito mais a questão da fantasia, do devaneio, da imaginação.

É possível separar paixão de tesão?

Ainda que caminhem juntos, os sentimentos são diferentes. Agora, para responder a pergunta, há uma questão lógica: é impossível haver paixão sem tesão, mas o tesão sozinho pode existir. “O tesão não necessariamente instigará a paixão. É em uma dose superficial, do tipo, você pode se excitar e ter tesão por alguém, sem que esteja apaixonado”, comenta. Todavia, quando existe a paixão, automaticamente o tesão estará dentro, embutido nesse elemento, pois desperta a libido, o desejo, a vontade, de querer deixar com que o corpo tome conta de tudo.

“A paixão estimula e mobiliza o tesão”, diz.

Por que confundimos?

Que atire a primeira pedra quem nunca achou que estava apaixonado, mas no final percebeu viver uma relação baseada somente em sexo. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Concordia, no Canadá, conseguiu diferencias ambos sentimentos ao mapear sua reação em nosso cérebro. A descoberta é que eles habitam a mesma região (chamada corpo estriado), mas ativam áreas diferentes: o tesão, a da recompensa; a paixão, a da dependência – a mesma da dependência química, viu?

Mas, ainda que seja comum não conhecer o limite entre um e outro, há também uma questão sociocultural. “Existem tabus do ponto de vista da autorização moral e social para que se vivencie apenas o elemento do tesão”, explica Vitor. É por isso que muitas pessoas forçam o envolvimento e buscam uma relação.

“Mais do que confusão, é a permissão social que atrapalha”, comenta e completa: “Sobre as mulheres, ainda recai uma cobrança, maior, uma não-liberação social. É como se ela só pudesse sentir prazer se sentisse apaixonada e se entregasse a determinados ritos, como casamento ou outros tipos de envolvimento afetivo”, finaliza.

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