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Paula Dultra: Quero ser um ponto de apoio para mulheres que precisarem.

Há 10 anos, Paulinha Dultra criava o “Blog Mulherzinha”. Um diário pessoal/virtual, onde ela escrevia textos sobre as suas percepções de vida e comentava sobre o cotidiano. Não existia, ainda, um foco feminista, até ela notar que as pessoas, sobretudo mulheres, interagiam aos seus conteúdos. A partir desse momento ela sentiu a necessidade de criar um espaço para fazer as mulheres pensarem, um espaço onde elas enxergassem novos caminhos. No fundo, o Blog Mulherzinha já nasceu feminista, apenas não tinha se percebido como tal.

Esse mês, o Blog da Paula completa 10 anos e nós batemos um papo com essa mulher inspiradora.

Confira entrevista:

“Por mais que ter um blog com um público tão específico não me dê a visibilidade que um blog de moda poderia me dar, por exemplo, estou satisfeita falando sobre feminismo e tudo relacionado a ele.”

PD: Nesses 10 anos de história, como foi construído o direcionamento do Blog Mulherzinha? Os objetivos/direcionamento do blog mudaram durante esse período?

Paula Dultra: O blog nasceu como um diário pessoal. Terminava colocando letras de músicas que falavam sobre mulheres fortes, comentava coisas que aconteciam. A primeira grande mudança foi em 2010, quando passei a entender mais sobre os blogs, estruturei uma equipe e terminei conceituando ele como um blog de universo feminino. Por uma época, terminei falando sobre tudo: moda, relacionamento, comportamento, cinema, músicas etc, tudo sob o olhar feminista. Com o tempo, vi que não daria certo, pois eu não estava focando na minha grande motivação, que passava a ser explicar as pessoas sobre o feminismo e desmitificar os mitos sobre o movimento. Hoje, os temas são mais inspirados no meu dia a dia, em algo que acontece. Por mais que ter um blog com um público tão específico não me dê a visibilidade que um blog de moda poderia me dar, por exemplo, estou satisfeita falando sobre feminismo e tudo relacionado a ele.

“Feminismo para mim passou a ser a ordem natural das coisas, algo que tirou um peso de minhas costas e só me trouxe benefícios.”

PD: Como foi o seu processo de se reconhecer feminista?

Paula Dultra: Hoje sei que sempre fui feminista. Desde sempre, foi me dada a oportunidade de fazer tudo o que estivesse ao meu alcance, da mesma forma que meu irmão também podia. Por conta disso, saber meu lugar no mundo sempre foi muito normal. O processo de entender o feminismo foi muito gradativo, só fui realmente saber do que se tratava cerca de 6 anos atrás, através de amigas. A partir daí, vi que tudo que eu achava e sentia tinha um nome, um movimento. Então, feminismo para mim passou a ser a ordem natural das coisas, algo que tirou um peso de minhas costas e só me trouxe benefícios. 

PD: O que você acha que mudou na sociedade nesses 10 anos?

Paula Dultra: Acho que cada vez mais mulheres estão entendendo seus lugares na sociedade e exigindo respeito, direitos. Mas o que me deixa mais feliz ainda é que muitas meninas e adolescentes já sabem sobre o movimento e, desde cedo, já buscam informação. Lógico que, infelizmente, ainda temos números alarmantes de feminicídio, especialmente de mulheres negras e periféricas.

PD: Nesses anos de dedicação ao feminismo, como você tem enxergado a participação masculina?

Paula Dultra: Estou vendo um aumento gradativo da participação masculina e acho isso excelente. Se eles são o problema, eles têm que entender isso e estar no nosso lado. Hoje, eu já tenho amigos que vêm tirar dúvidas, pedir opinião e explicação. Acho importante e estarei sempre disponível para que eles tiverem interesse em conversar.

PD: O processo de empoderamento através da escrita e da leitura são extremamente importantes. Você possui indicações de títulos e/ou sites que possamos avançar nas discussões de gênero?

Paula Dultra: Em literatura, posso indicar o livro de Márcia Tiburi Feminismo em Comum. Para Todas e Todos e o Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Adichie.

 

PD: Como você enxerga o “Blog Mulherzinha” daqui a 10 anos?

Paula Dultra: Quero continuar firme falando de feminismo e ser um ponto de apoio para mulheres que precisarem.

 

Pra finalizar, um TEDTalk com Cimamanda Ngozi Adichie, em que ela pede que comecemos a sonhar e a planejar um mundo diferente, e mais justo, com homens e mulheres mais felizes, que sejam verdadeiros consigo mesmos.

Todos devemos ser feministas.

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