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“Percebi o poder que uma roupa tem de nos proporcionar autoconfiança e quero ajudar cada vez mais mulheres a se sentirem capazes, confiantes e felizes com a sua imagem.” Rafaela Mancini

“Trabalhe em algo que você realmente goste, e você nunca precisará trabalhar na vida”

Sim, uma frase bem clichê, mas se você parar pra pensar que 90.000 horas do seu tempo será gasto trabalhando, sem dúvidas que fazer o que você gosta irá minimizar muito sofrimento. Eu, na verdade, acredito que você deve gostar do que faz ou todos os dias de sua vida serão um purgatório, porém isso não quer dizer que você não precise fazer um esforcinho aqui ou ali para colocar as coisas para funcionar. Não é preciso somente gostar do que faz, é preciso estudar, se capacitar e se dedicar àquilo que você acredita.  Passar 90.000 horas trabalhando pode ser uma brincadeira legal ou agoniante, depende apenas de você.

Um exemplo disso é a talentosa Rafaela Mancini que resolveu investir em si e nos seus ideais e descobriu um novo mundo através da consultoria de estilo e imagem. Hoje ela não só ajuda as pessoas a desenvolverem seus estilos, ela ajuda na autoestima e bem estar de cada um que passa por ela.

Rafaela é uma das milhares de mulheres que nos inspiram. Conheça um pouco mais sobre ela!

1- Rafaela, conta pra gente um pouco da sua vida, de onde você veio, onde nasceu, sua formação e o que você fez até chegar aonde chegou.
Nasci numa cidade do interior do ES chamada Cachoeiro de Itapemirim no dia 26/03 (sou a ariana mais “de boa” que você vai conhecer, juro rsrs) e vim morar em Salvador aos 12 anos. Me formei em Direito, mas embora tivesse talento pra área, sabia que não era com isso que eu gostaria de trabalhar. Então fiz a OAB em um domingo e na segunda-feira comecei a trabalhar na start up do meu marido, onde fiquei por dois anos e evoluí muito enquanto pessoa e profissional. Mas chegou um momento que isso começou a ficar insuficiente. Eu precisava de algo que eu realmente amasse fazer. Fui maquiadora por uns meses porque sempre amei me maquiar e, nos estudos sobre visagismo, descobri a consultoria de estilo e imagem pessoal. Relutei a entrar nessa profissão porque achava que era simplesmente sobre moda. Só quando entendi que era mais sobre pessoas, sobre autoestima e bem estar foi que me apaixonei e me joguei de corpo e alma nessa profissão. Fiz três cursos na área, estudei (e ainda estudo) muito por mim mesma e sou feliz demais por poder trabalhar com isso.

2 – O que é consultoria de imagem e estilo pessoal? Nos conta um pouco como funciona?

A consultoria é uma ferramenta de autoconhecimento em que a cliente consegue ter mais clareza sobre o seu corpo, seu rosto e objetivos de imagem e entender como valorizar seus atributos naturais e expressar a sua essência por meio das roupas, do cabelo, dos acessórios…

Primeiro ela responde a um questionário e faz um exercício de referências visuais pra gente investigar o seu estilo e preferências, depois vou até a casa dela pra fazer as análises de proporções faciais, corporais e de coloração pessoal. Com base nessa investigação, monto um guia completo sobre ela, sobre os melhores caimentos, tecidos, estampas, cores, comprimentos e materiais que vão contribuir pra ela alcançar a imagem que deseja. Tendo esse material como guia, vamos às etapas práticas: revitalização de guarda-roupa (pra desobstruir e deixar lá só o que funciona e valoriza), experiência em lojas (pra testar novas propostas, conhecer outras modelagens e aprender a fazer compras mais certeiras) e a montagem de looks, que é a cereja do bolo e serve pra mostrar pra ela o potencial do seu guarda-roupa, pra abrir a mente e otimizar o armário.

3 – Como surgiu o seu interesse pela sua área? E qual foi seu primeiro contato com esse universo?
Foi quando estava estudando maquiagem. Sempre fui muito dedicada e, quando decidi trabalhar como maquiadora, fiz dois cursos na área, onde conheci o visagismo. Resolvi me aprofundar nesse tema e então descobri que existia essa tal de consultoria de estilo/imagem, mas eu torci o nariz porque achava que era só sobre moda e eu nunca fui muito ligada a isso. Aos poucos fui percebendo que não é sobre tendências, sobre o que está ou não nas passarelas, mas sim sobre gente, sobre sentimentos, sobre se olhar no espelho e conseguir se identificar.

Percebi o poder que uma roupa tem de nos proporcionar autoconfiança e decidi trabalhar com isso porque quero ajudar cada vez mais mulheres a se sentirem capazes, confiantes e felizes com a sua imagem pra que elas possam transformar um pedacinho do mundo à sua volta e fazer dele um lugar melhor!

Quando a gente usa a moda a nosso favor, acho incrível. Ela tem mesmo um grande potencial de nos proporcionar sentimentos de confiança, bem estar, autoestima. O problema é quando as pessoas viram reféns dela e acabam se limitando (e sofrendo) por achar que por ter corpo X ou Y não pode usar tal coisa, por exemplo. Não acredito nisso. Penso que todo mundo pode usar tudo, desde que tenha a ver com a pessoa, com o que ela gosta de expressar, com a sua personalidade. Até uma peça que, teoricamente, não nos valoriza tanto tem jeitinho espero de usar e se sentir maravilhosa graças à ilusão de ótica que as roupas são capazes de produzir. E nada paga aquele sorriso no rosto de quando a gente se olha no espelho, se acha bonita e a roupa tá a nossa cara, né?

5 – Como sabemos qual o estilo mais adequado para a gente?

O estilo mais adequado é aquele que faz a gente feliz!

Claro que, dependendo do caso, a gente precisa ajustar o estilo pessoal pra ficar adequada à situação (como no trabalho, por exemplo), mas sempre dá pra colocar a nossa cara na roupa, independente do dress code. Pra quem quer ter mais clareza sobre o seu estilo, eu sempre recomendo fazer uma pasta no pinterest ou até um mural de referências com imagens de revistas e observar por que você as selecionou e quais elementos estão se repetindo naquelas imagens. Por exemplo, a pessoa pode perceber que selecionou muitas imagens de caimentos fluídos, estampas de fundo escuro, manga flare, cores terrosas…pode estar apontando pra um estilo mais boho. Isso ajuda demais!!

6 – Nos fala um pouco sobre o uso das cores e como descobrir qual cor nos favorece.
A cor é percebida por comparação ao que tá à sua volta. É por isso que um batom pode ficar incrível em uma pessoa e estranho em outra. O mesmo acontece com a cor de cabelo, de esmalte, de roupa… Cada um de nós tem uma composição específica de melanina que, além de definir o tom da nossa pele, olhos e cabelo (se serão mais claros ou mais escuros), também definem o nosso subtom (se a pele é mais rosada, amarelada, neutra ou oliva).

Existe um estudo que fazemos na consultoria chamado Análise de Coloração Pessoal em que avaliamos essas características pra identificar qual grupo de cores mais valoriza a beleza natural de cada um. Esse serviço – que também pode ser contratado separadamente – ajuda muito a fazer escolhas mais certeiras de tons de cabelo, maquiagem, roupas, acessórios… ou seja, a gastar menos e melhor! A cartela de cores que nos valoriza é sempre a mesma. Não muda com a idade e nem com a exposição ao sol porque avalia componentes que estão abaixo da camada visível da pele.

7 – Como consumidoras, estamos cada vez mais nos inclinando ao consumo consciente. Como você enxerga esse movimento?
Consumir de forma mais consciente e responsável é cada vez mais imprescindível, mas também pode ser uma tarefa difícil no sentido de que tudo tem algum tipo de impacto. Nem sempre dá pra comprar do produtor local, da loja que é mega artesanal e que, por isso mesmo, precisa cobrar um valor mais alto por suas peças. Mas a gente sempre pode consumir menos!

Sempre dá pra cuidar melhor das nossas coisas pra aumentar a durabilidade. Dá pra consertar em vez de jogar fora. Dá pra trocar com as amigas, vender/comprar em brechó. Tem um documentário na Netflix chamado The True Cost que mostra o impacto da indústria da moda no mundo e eu indico muito que todos assistam pra entender a importância do tema.

8 – Qual dica você deixa para as pessoas que desejam consumir de forma consciente sem deixar de estar na moda?

A principal coisa é ter clareza sobre o seu estilo, o que você quer comunicar e o que te valoriza. Sabendo isso, fica muito mais fácil comprar menos e mais certeiro. Se a gente não sabe, acaba comprando porque tá barato ou porque viu alguém usando e fica com o guarda-roupa cheio e “nada pra usar”, então acaba comprando mais e isso vira uma bola de neve. Auto observação e autoconhecimento são a chave pra um consumo mais consciente. A consultoria ajuda muito nesse sentido!

9 – Existe algum caso de consultoria de imagem que lhe marcou? Nos fala um pouco sobre isso.
Todos me ensinam muito e me tornam uma pessoa melhor. Mas teve um, em específico, que foi muito importante pra mim e pra cliente. Ela é uma mulher gorda e que estava tentando emagrecer. Logo no nosso primeiro encontro eu expliquei que ela não precisava emagrecer pra atender a um padrão social. Ela me contou que sempre gostou de ser gorda, que se acha linda assim e eu disse que ela poderia ter a imagem que deseja sem ser magra. Falei aquilo e, embora eu estivesse sendo sincera, acho que não tinha a real dimensão do que estava dizendo. Alguma parte de mim duvidava que ela realmente se achasse bonita sendo gorda, provavelmente porque a gente cresce sendo ensinada que é feio, que tem que ser magra (um total absurdo!). Mas à medida em que íamos desenvolvendo o trabalho, fui percebendo o quanto ela realmente se amava e se achava linda e isso virou uma chavinha em mim, sabe? Ela foi recebendo vários elogios de pessoas à sua volta e se empoderado cada vez mais. Ela continua gorda e maravilhosa. Eu me tornei uma pessoa – e uma consultora – melhor depois de a conhecer e hoje posso dizer que acredito 100% que é possível a gente se gostar do jeito que somos!

10 – Qual o recado que você deixa para as mulheres, que assim como você, querem trabalhar nessa área?
Se você gosta de gente, se você quer contribuir pro bem estar de outra pessoa, se joga! É uma profissão linda, gostosa e divertida. Mas também mexe com questões muito íntimas e sensíveis.

É cansativo, zero glamuroso, mas vale cada segundo. Principalmente quando a gente vê o olhinho da cliente brilhar ao se olhar no espelho. Estude muito, sempre.

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