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Pink Tax: sabia que mulheres pagam mais por cosméticos que os homens?

Há alguns anos, Nitasha Mehta sentiu o mesmo que muitas mulheres ao perceber que estava pagando mais do que os homens pelos mesmos produtos de higiene pessoal: raiva. Foi quando, como responsável pelo marketing de fornecedores daBoxed, uma atacadista virtual que oferece muitos desses itens, começou a investigar os preços de sua própria empresa.“Eu pesquisei produtos na Boxed e vi que havia uma discrepância significativa na precificação de coisas como sabonete líquido, gel de barbear e desodorante, entre os produtos para homens e mulheres”, disse Mehta.

Embora a Boxed estivesse recebendo esses preços dos fabricantes, Mehta não ficou de braços cruzados; ela levou as informações para seu CEO, Chieh Huang. “Ele nem sabia que esse problema existia… mas ele tem uma filha pequena e não entendia por que ela teria de pagar mais por certos produtos, ao longo de sua vida, do que seus amigos homens”, disse ela. Por causa da reunião de 2016, a Boxed se tornou uma das primeiras varejistas a se posicionar contra o “Pink Tax”. A empresa ajustou o custo de itens como xampus e lâminas de barbear – produtos pelos quais as mulheres pagavam mais – na mesma base por unidade. Se homens e mulheres estivessem comprando os mesmos produtos, eles gastariam o mesmo.

Dado o fato de que os próprios fabricantes estavam definindo os preços injustamente, a Boxed acabou absorvendo a diferença de preço, e as ofertas que foram ajustadas agora mostram o logotipo #RethinkPink no site da empresa. “Nosso objetivo, ao tomar essa decisão, foi fazer com que as pessoas falassem sobre o assunto e até tentar convencer outras empresas a seguirem nosso exemplo”, diz Mehta.

Produtos de beleza (Foto: Instagram/Reprodução)

O que é a Pink Tax?
O imposto rosa, cujo nome deriva da cor mais frequentemente comercializada às meninas e que se refere à diferença de preços entre os produtos destinados a consumidores do sexo feminino e masculino, aparentemente existe há décadas. Seja para brinquedos, camisetas, mamadeiras ou cortes de cabelo, estima-se que o imposto rosa tenha custado às mulheres milhares de dólares, ao longo dos anos. Além disso, as mulheres em 36 estados dos EUA também pagam um imposto sobre  absorventes, mesmo que esses produtos sejam uma necessidade básica, ao contrário dos não essenciais, como o protetor labial, que não é tributado.

O Departamento de Assuntos do Consumidor da cidade de Nova York publicou um estudo, em 2015, constatando que, em média, os produtos para mulheres e meninas custam 7% mais do que os mesmos produtos para homens e meninos. E esta não é a primeira vez que se pesquisa sobre o imposto rosa. O estado da Califórnia realizou um estudo, em 1994, e estimou que as mulheres gastam US$ 1.350 (cerca de US$ 2.304 em dólares atuais) ao longo de um ano com o imposto rosa. Enquanto as mulheres não conseguem se livrar do imposto rosa, elas lideram a pressão para acabar com isso.

Marcas millennials que fazem a diferença
Enquanto Mehta arregaçou as mangas para fazer algo sobre o imposto rosa de dentro da sua empresa, a ex-executiva de publicidade, Georgina Gooley, decidiu abrir sua própria empresa para resolver o problema. “Eu ficava olhando para a categoria de barbear e me perguntando por que um serviço de assinatura feminina não tinha sido criado e por que as mulheres tinham sido postas de lado nessa categoria”, disse Gooley à Glamour. “As mulheres não se depilam?” Não fazia sentido.

Depois que Gooley teve essa epifania, ela entrou em ação. “Eu sabia que o imposto rosa existia, mas quando descobri que as lâminas de barbear e a lavanderia a seco eram os piores tipos de infratores, eu sabia que tinha de fazer alguma coisa”, compartilhou Gooley. “Foi quando decidi criar uma empresa voltada especificamente para como as mulheres se depilam”.

Junto com o cofundador, Jason Bravman, Gooley concebeu a Billie, um serviço de assinatura de lâmina feminina, e arrecadou US$ 1,5 milhão para começar. A Billie permite que suas clientes selecionem a frequência de entrega do refil dos aparelhos de depilação e o preço é de US$ 9 para quatro, com entrega gratuita. Em comparação, os cartuchos de outra marca popular custam US$ 17 o pacote de quatro.

Billie, marca de lâminas femininas (Foto: Reprodução/Instagram)

Acabar com o imposto rosa também desempenha um papel fundamental no marketing da Billie. Por exemplo, a marca oferece um “desconto do imposto rosa” para que as clientes possam compartilhar um link de referência com as amigas e ganhar cupons para a usar na Billie, “recuperando, assim, parte do dinheiro” que gastaram com o imposto rosa. 

Mudanças nas grandes companhias
Até mesmo as empresas que não têm problema com o imposto rosa estão levantando a bandeira, considerando como algo importante para seus clientes. O European Wax Center (EWC – Centro Europeu de Cera), uma cadeia de salões de depilação em todo o país, estava procurando um foco para uma nova campanha publicitária, há pouco mais de um ano, quando se concentrou na frustração em torno desse imposto injusto.

Embora a empresa afirme que nunca cobrou preços diferentes pelos mesmos serviços para homens e mulheres, a maioria de suas clientes são mulheres, bem como suas funcionárias.

A empresa lançou a campanha #AxThePinkTax, em abril deste ano, para defender preços iguais para os produtos. A campanha inclui um site dedicado, no qual os usuários podem acessar o quanto perderam com o imposto rosa durante a vida, conteúdo para seus vários canais de mídia social, incluindo o Snapchat, e a empresa também está fazendo uma doação para várias instituições de caridade voltadas para mulheres, incluindo a Girls in Tech.

“Isso nos atinge enquanto empresa”, disse Sherry Baker, presidente de marketing e desenvolvimento de produtos da EWC, à Glamour. “Nós vemos exemplos o tempo todo. Recentemente, um executivo sênior da EWC que tem uma filhinha entrou na internet para procurar uma mamadeira, e descobriu uma mamadeira azul e uma rosa, com dois preços diferentes para o mesmo produto. É difícil acreditar. É por isso que é tão importante levantar a bandeira da conscientização”. À medida que os varejistas e as pequenas start-ups se posicionaram como guerreiros anti-imposto rosa, eles descobriram uma grande coisa: pode ser um bom negócio fazer a coisa certa.

Billie (Foto: Reprodução)

Mulheres revolucionam mercado de beauté
Ainda assim, apesar do progresso, não há dúvida de que há um longo caminho a percorrer. “Se analisarmos – quantas mulheres são CEOs de empresas no ranking da Fortune 500 enfrentam desigualdades salariais –, é fácil ver como o assunto foi negligenciado”, diz Baker. “Vai levar muito tempo para consertar isso”. “Os consumidores têm um importante papel em responsabilizar as empresas”. — Georgina Gooley, cofundadora da Billie

As mulheres que tem sido fundamentais para liderar a pressão contra o imposto rosa acham que, em última instância, cabe aos outros que levantem a voz sobre essa questão para modificá-la. “Já vi clientes reclamando para empresas no Twitter e elas nem haviam percebido que estavam precificando de acordo com o mercado”, diz Gooley. “Mas então a empresa corrigiu. Os consumidores têm um importante papel em responsabilizar as empresas”.

Agora Mehta está levando sua luta para a estrada, viajando pelo país como defensora. Ela testemunhou na Câmara de Representantes do Colorado e na Assembléia do Estado de Nevada em favor de projetos de lei que revogam o imposto sobre os absorventes. Em seguida, ela seguirá para Michigan para apoiar uma lei semelhante. “Estou apenas começando”, diz.

Fonte: Glamour

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