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PQP, sou uma só!

“Dona Sara, o que vamos fazer para o almoço?”, grita a cozinheira lá do fundo da casa. Ela ignorou a lista que está colada na geladeira já faz uma semana, onde tem escrito: almoço do dia.

“Amor, você sabe onde está minha mochila?”, o marido sai esbaforido do quarto perguntando. Ele não encontra a mochila que ele mesmo trouxe do trabalho, mas espera que você saiba onde guardou.

Toca o Whats App! É o designer da empresa. Ele quer saber o que é para fazer e quer que você desenhe, literalmente.

Na agenda tem um lembrete: levar Guddu ao veterinário. Quem mais? Afinal, todos têm compromissos importantíssimos – menos você, aparentemente.

Mal começou o dia e já tem um bando de mensagens aguardando respostas. E eu aqui, com a sensação de carregar o mundo nas costas. Já se sentiu assim? Começamos o dia com aquela lista nada básica de expectativas que não serão correspondidas.

Por volta das 21h você chega em casa e pensa: afazeres concluídos com sucesso!

Você está de pé desde as 4 am. Já correu, organizou os itens da casa – almoço e janta que será preparado pro marido -, levou o cachorro pro veterinário e pra tosa, manejou três reuniões de trabalho, passou no escritório para aprovar materiais, foi ao mercado e pegou as roupas na lavanderia. Entre um compromisso e outro: tentou negociar a mudança de endereço da NET – sem sucesso -, marcou com o eletricista para ver a luminária que quebrou e agendou um exame que estava pra fazer a uns três meses.

Ufa! Home at last! Finalmente em casa e… O cachorro cagou fora do lugar, comeu o centro de mesa e destruiu suas orquídeas. Dona Joana não fez o jantar (sabe lá Deus por quê) e a cama tá lá, arrumada igual um arco-íris, cada fronha de uma cor.

A vontade é de ir deitar e deixar tudo cagado mesmo.

Mas a gente não consegue, né? Então lá vamos nós, com um pano de chão e o Veja na mão.

Não sou de pedir muito, aliás, não sou de pedir nada. Muitas vezes absorvo tudo, igual à essa esponja que seguro enquanto lavo os pratos. Só gostaria que cada um fizesse o seu papel. Que a cozinheira cozinhasse, que o marido arrumasse sua bagunça e o funcionário trabalhasse. Só queria acordar um dia e ter tudo magicamente se desdobrar. Sem ter que pedir, é claro! Seria querer demais?

Grito – “PQP, sou uma só!” – mentalmente, é claro.

Por que se falar alto, fudeu! Ainda tem que discutir relação com o boy a essa hora da noite.

Então vou me deitar… E o marido pergunta: “amor, pode pegar uma água?”.

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