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Quem é Marcello Siciliano, envolvido por testemunha em morte de Marielle

As investigações sobre o assassinato de Marielle Franco avançaram nos últimos dias. Em busca de proteção, uma testemunha que trabalhou para um dos mais violentos grupos paramilitares do Rio afirmou que o vereador Marcello Sicliano e Orlando Oliviera de Araújo, ex-policial militar preso por chefiar uma milícia em Curicia, desejavam a morte da vereadora do PSOL.

O jornal carioca O Globo teve acesso a três depoimentos à Divisão de Homicídios da Polícia Civil. Há informações sobre datas, horários e locais de reuniões entre o Siciliano e o miliciano.

De acordo com a reportagem,  a testemunha passou inicialmente na Superintendência da Polícia federal, na Praça Mauá, região central do Rio, e foi encaminhada ao chefe da Polícia Civil, o delegado Rivaldo Barbosa. Ainda segundo o jornal, a testemunha afirma ter presenciado pelo menos quatro conversas entre Siciliano e Orlando Araújo, que continuava a comandar uma milícia na Zona Oeste da cadeia. Foram fornecidos ainda aos investigadores os nomes de quatro homens que teriam sido responsáveis pela execução. 

Um dos relatos da testemunha indica que Siciliano conversava certa vez com o ex-policial sobre como Marielle estava “atrapalhando”. Ele teria batido forte com a mão na mesa e gritado: “Marielle, piranha do (Marcelo) Freixo”. Em seguida, afirmou que eles precisavam “resolver isso logo”. À época, o miliciano era foragido da Justiça e tinha dois mandados de prisão contra ele. 

Segundo a testemunha, sempre de acordo com a reportagem, o vereador e o ex-PM tinham negócios em conjunto na Zona Oeste. A milícia agiria em grilagem de terras na Zona Oeste, especialmente no Recreio dos Bandeirantes.

O motivo para a desavença entre o vereador e Marielle teria sido a expansão das ações comunitárias da parlamentar na região e sua crescente influência em áreas de interesse das milícias. Um dos conflitos, de acordo com o “O Globo”, está relacionado a comunidades no Jacarepaguá. Orlando de Curicida seria “dono” da comunidade Vila Sapê, que trava uma guerra com os traficantes da Cidade de Deus. 

Siciliano afirmou que a denúncia é uma “covardia, uma coisa plantada”. “Sou um homem de bem, correto. Não sou safado, não sou criminoso. Tenho família. Tenho quatro filhos, três netos. Todos estão me ligando, preocupados. Marielle era minha amiga. Não faria isso com ela nem com qualquer outra pessoa”

Parte do reduto eleitoral de Siciliano é na Zona Oeste. Ele exerce seu primeiro mandato na Câmara Municipal. Seus votos concentram-se na região de Jacarapeguá que abrange o Anil, a Cidade de Deus, a Gardênia Azul e Rio das Pedras. O vereador era conhecido por promover reuniões de campanha na casa de shows Barra Music, badalado local frequentado por artistas e jogadores de futebol.

Ele já protagonizou episódios polêmicos. Em uma sessão na qual era discutido um projeto de lei que autorizava a volta dos cobradores de ônibus, ele se desentendeu com rodoviários e precisou ser contido por colegas. Alguns de seus projetos estão relacionados ao seu reduto eleitoral. Curiosamente, ele protocolou em conjunto com Marielle um projeto de lei que criaria o Programa de Desenvolvimento Cultural do Funk Tradicional Carioca. 

Antes de se tornar vereador, Siciliano foi indicado em 2010 ao Nobel da Paz. À época, foi festejado por uma reportagem da TV Record. “Quem vê Marcelo sentado confortavelmente no escritório no Recreio dos Bandeirantes, não imagina quantas pessoas ele ajuda em vários projetos sociais”. Ele foi apresentado como um empresário bem-sucedido da Construção Civil. De acordo com a reportagem, ele era patrono de ao menos seis projetos sociais. Na ocasião, foi apresentada ainda sua mais recente iniciativa à época: uma creche no Recreio dos Bandeirantes. 

O nome de Siciliano já havia surgido na mídia recentemente. Colaborador do vereador, Carlos Alexandre Pereira Maria foi executado na Zona Oeste, pouco após a morte de Marielle. Uma das linhas de investigação apontava que ele poderia ter sido morto por ligação com uma milícia que atuava na região. Os policiais também não descartavam que o crime tivesse conexão com seu trabalho para Siciliano. 

A proximidade um miliciano da Zona Oeste e outro vereador do PHS, partido de Siciliano, também veio à tona recentemente. Reportagem do “The Intercept Brasil” apontou que em 7 de março, o ex-vereador Cristiano Girão Matias, acusado de chefiar uma milícia em Jacarepaguá, foi à Câmara dos Vereadores do Rio. Marielle Franco trabalhou ativamente na CPI das Milícias que indiciou Cristiano Girão. 

Imagens do circuito interno de câmeras apontaram que o miliciano esteve no sétimo andar da Casa. No local, estão os gabinetes dos vereadores Chiquinho Brazão (PMDB-RJ) e Zico Bacana (PHS).  Zico Bacana foi citado na CPI das Milícias como integrante do grupo organizado que atua nas favelas da Palmeirinha e da Eternit, ambas em Guadalupe, na Zona Norte da capital fluminense.

Fonte: Carta Capital

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