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Representação feminina na mídia destrói a mulher real?

Representacao feminina

A gente já sabe o que esperar nos comerciais envolvendo mulheres, no do dia das tais – ou até no dia das mães – vemos aquela promoção nada bombástica de eletrodomésticos, de produtos de limpeza ou itens de embelezamento. Nos comerciais de cerveja a objetificada moça na praia, sempre feliz, cheia de calor e um minúsculo biquíni fingindo conforto, diversão e livre serventia. Corpos vazios e sem língua, sem ter o que falar além de fazer pose com a garrafa da bebida gelada na mão ou até mesmo um novíssimo liquidificador com 50% de desconto naquela loja ‘cobiçada’ do shopping, por quê mulheres não devem colocar o pezinho para fora da cozinha, da área de serviço ou da frente do espelho, não é verdade?

Se a sua resposta foi não. Para a mídia você está errada. Eles têm como intenção vender o produto com a mega exposição do corpo feminino, e não é só em comerciais onde o público alvo são os homens, mas também aqueles onde as mulheres são as maiores consumidoras. Algo assustador a se exemplificar. O que nos traz a seguinte questão do título: A representação feminina na mídia destrói a mulher real?

E posso dizer que sim. O papel da mídia falha em todos os quesitos ao escolher mulheres de aparência perfeita e sem defeito algum para vender algum produto, trazendo insegurança para a mulher real a respeito da sua imagem e de suas qualidades, fazendo-se comparar àquela falsa felicidade, ou ao corpo sarado que veem na televisão, internet e revistas, criando a pressão estética de que todos devem atingir aquele padrão para se sentirem bem ou para atrair atenção do sexo oposto. Como se isso fosse a única intenção das mulheres. Vemos isso em todos os lugares, e alguns levam isso como verdade. Mulheres com vaidade além dos limites, apologia à competição entre elas, impecáveis donas do lar e a perfeita companheira do homem, fútil e sem palavras. Uma modelo muda ou apenas boneca de companhia, um enfeite.

Nos Estados Unidos surgiu uma iniciativa chamada The Representation Project (O Projeto de Representação) que tem como intuito expor a injustiça criada pelo estereotipo de gênero na mídia e inverter a consciência das pessoas para o que realmente está acontecendo. No Brasil não temos nada parecido, mas algumas mulheres dos novos movimentos feministas assumiram esse papel na internet e nas ruas, de trazer novas críticas e informações necessárias para abrirmos os olhos ao mundo misógino e patriarcal que estamos sendo moldadas desde os tempos da criação. Como por exemplo: a ativista, jornalista e Youtuber, Alexandra Gurgel, que por falar abertamente sobre o feminismo, amor próprio e aceitação do seu corpo sendo uma mulher gorda, foi alvo de ódio livre por toda a internet. Lugar este que mesmo com tantos atos de livre expressão ainda justificam que as mulheres não podem ter voz, são o sexo frágil e até mesmo que toda denúncia que fazemos contra esse tipo de abuso é vitimismo, esquerdismo ou como dizem ‘mimimi’.

Li em um artigo no Carta Capital com a seguinte frase “Uma marca não vende apenas um produto, mas também um estilo de vida”, diz Nádia Lapa. A mensagem mostra que não é só um liquidificador, uma boa cerveja ou até um sutiã da moda. Quando falamos de autoestima o que a mídia vende é que toda mulher precisa de tais coisas para serem felizes e que todas necessitam estar o tempo todo bonitas, arrumadas, sexys, femininas e juvenis. Parecer uma jovem e agir como uma dama. E ser cobrada por isso o tempo todo, porquê se agir de forma diferente você estará saindo do padrão criado pelo homem de como a mulher deve ser, e será excluída da sociedade por ser diferente, ter voz ou ser taxada como ‘masculina’ ou até uma mulher ‘desleixada’.

As empresas machistas se unem com a mídia – que é pior ainda – para criar essa mitificação da mulher ideal e nós somos os alvos, as mulheres reais. Eles criam esse buraco psicológico na nossa mente para vender seus produtos e infelizmente, muitas caem no conto da cobra de que a maçã é o melhor fruto e que precisamos tê-la para sermos felizes ou que a tendo magicamente receberemos o respeito necessário para chamar atenção de outra pessoa importante além de nós mesmas.

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