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Roberta Céu: De Bailarina a Chef, sempre em busca de um sonho.

Roberta Céu é uma soteropolitana de 33 anos que começou a sua carreira profissional bem cedo. Aos 5 anos de idade iniciou seus estudos em ballet clássico e aos 15 anos já havia se tornado uma bailarina formada pela Royal Academy of Dance de Londres. Aos 16 anos deu aulas de ballet em uma academia de musculação da cidade onde morava. E aos seus 18 anos abriu seu primeiro negócio: A Escola Baiana de Dança em Barreiras-BA. 

Uma história de determinação e foco, mas que não parou por aí. Sua escola de ballet rendeu 10 anos como um negócio rentável, estável e consolidado, proporcionou uma boa parte das suas aquisições, mas ainda lhe faltava algo. Mesmo tendo um negócio de sucesso em mãos, ainda não se sentia realizada profissionalmente.

Roberta sempre teve uma grande paixão: a gastronomia. E naquele momento sentia uma enorme necessidade de vivenciar novos desafios. Resolveu então vender sua escola, fazer as malas e ir atrás do seu sonho…

E foi para falar de sonhos que convidamos – a hoje Chef – Roberta Céu para estar essa semana no “Elas Inspiram”.

Conheça a Personal Chef Roberta Céu:
PD: Qual foi seu primeiro contato com o empreendedorismo? Quais foram os obstáculos enfrentados?

Roberta Céu: Com 16 anos, em Barreiras, eu já ensinava ballet em uma academia de musculação. Lá, fiz amizade com a mãe de uma aluna (nos tornamos grandes amigas) e juntas decidimos montar uma escola de dança. O obstáculo principal foi o dinheiro. Ainda menor de idade, tive que esperar os 18 anos para conseguir um empréstimo. Outro obstáculo foi como as pessoas se posicionavam quanto a profissão. Aqui as pessoas não levam a sério profissões artísticas. Me olhavam e perguntavam se era “só ballet ” que eu sabia fazer, sem terem a noção de toda  a bagagem, educação e disciplina que a profissão exige. Até hoje, quando falo que sou cozinheira por exemplo, as pessoas não valorizam ou acreditam no meu profissionalismo e potencial; deixam até de contratar por acharem que eu não tenho “cara de cozinheira”, como se existisse um padrão estético para cada profissão.

PD: O que te fez abrir mão de um negócio bem-sucedido, como sua escola de ballet, largar tudo e ir para outro país? Você se planejou?

Roberta Céu: Eu não abri mão de um negócio bem-sucedido. Ele ainda está lá funcionando muito bem em Barreiras – BA, só não é mais meu. Eu apenas fui atrás do meu sonho. Eu acho que quando você é feliz com o seu trabalho, você é realizada em todos os âmbitos da sua vida, não só o profissional. Eu passei 10 anos da minha vida ensinando ballet, havia atingido uma rotina que já estava me desgastando, estava virando um martírio e esses desgastes diários me davam mais forças para ir atrás do que eu sempre quis. Foi quando eu decidi vender a escola de ballet e planejar a minha viagem. Vendi a escola em dezembro de 2013 e no final de 2014 já estava embarcando para a Irlanda.

PD: Como foi a sua chegada e a sua adaptação a um local com outras culturas e com um estilo de vida diferente do que você estava acostumada?

Foto: Arquivo Pessoal

Roberta Céu: Levei um choque na chegada. No Brasil eu morava sozinha, em um apartamento próprio e tinha ajuda diária de uma pessoa nas atividades domésticas. Na Irlanda eu tive que fazer tudo sozinha – não que eu não soubesse fazer – mas as vezes nos abraçamos aos privilégios que temos em nossa terra natal e quando nos deparamos com uma nova realidade, num país estrangeiro, é meio que chocante. Para conseguir me manter lá, sem recorrer aos meus pais, fui faxineira, fui babá, trabalhei na cozinha de um restaurante com 12 homens que gritavam o dia todo comigo. Posso dizer que esse período serviu para um grande crescimento pessoal. Voltei com uma cabeça muito mais humilde, mais humana; porque passamos a valorizar mais o trabalho do outro. Além disso, a Irlanda é um país muito frio, muito frio mesmo e por consequência, aquele calor humano que estamos acostumados no Brasil, não rola muito por lá. O que você não vê também, são pessoas se intrometendo na vida dos outros. Lá você não vai ver ninguém preocupado com o que você veste, nem te olhando estranho se você não segue um “padrão”. Lá as pessoas vão lhe receber e lhe aceitar pelo que você é e não pelo que você tem, como vejo acontecer muito aqui no Brasil. Na verdade, me readaptar ao Brasil foi mais difícil que me adaptar a Irlanda, por conta da maneira das pessoas agirem.

PD: Ao sair da nossa zona de conforto, nos deparamos com inúmeros desafios. Em algum momento, você pensou em desistir? Passou por sua cabeça montar um negócio na Irlanda? Quando você decidiu voltar ao Brasil? Já tinha planos?

Foto: Arquivo Pessoal

Roberta Céu: Nunca pensei em desistir. Eu tinha um foco e só sossegaria quando conseguisse atingir esse objetivo. Fui para ficar um ano e acabei ficando dois. Só voltei para o Brasil quando tinha feito tudo que me predispus a fazer.

É muito complicado para imigrantes abrirem negócios lá na Irlanda, no mínimo eu teria que ter um sócio irlandês. No entanto – confesso – se eu tivesse dinheiro já teria umas 15 empresas, porém como pretendia voltar ao Brasil, não pensei em abrir um negócio lá.

Voltei da Irlanda com dois diplomas em inglês e minha formação na escola de culinária da Irlanda. Objetivo alcançado! Não desviei do meu foco e apesar da saudade da família e dos altos e baixos, sempre me mantive focada no que queria. Investi meu dinheiro nisso e não me arrependo. Indico isso para qualquer pessoa. Claro que não precisa ir para a Irlanda para estudar culinária, mas o contato com outra cultura e com outros estilos de vida, são enriquecedores, humanamente falando.

Quando eu voltei para o Brasil  já sabia o que queria fazer, mas minha maior dificuldade foi em convencer as pessoas da credibilidade do meu trabalho. Como eu disse, aqui as pessoas julgam o tempo inteiro, então me perguntavam sempre o que eu estava fazendo depois que eu voltei. Eu tinha tive que explicar inúmeras vezes o que eu fazia, afinal a resistência ao novo gera um pouco de rejeição. 

PD: O que é um Personal Chef? Nos conte um pouco sobre o seu negócio aqui no Brasil.

Foto: Arquivo Pessoal

Roberta Céu: O Personal Chef funciona de uma forma muito simples: um cozinheiro pessoal em sua casa. 

Por exemplo: O cliente planeja um almoço ou um jantar saboroso, mas não quer ir a um restaurante.  Eu vou em sua casa, preparo entrada, prato principal e  sobremesa. Passo todas as opções do cardápio, caso o cliente ainda não saiba qual prato servir. Decidida as opções, vou até a casa do contratante com minha assistente e monto tudo. Faço o jantar completo, com pratos maravilhosos, deixo tudo limpo e volto pra casa.

Esse tipo de serviço ainda não é um costume aqui no Brasil, mas eu acredito muito que com paciência e foco alcançamos tudo que queremos. É o que quero fazer, o que amo fazer e vou até onde eu conseguir chegar.

Pretendo, futuramente, montar um restaurante onde eu possa desenvolver minhas criações e assinar os meus pratos, mas ainda preciso definir um posicionamento e me estruturar enquanto marca. Isso está nos meus planos futuros.

PD: Qual a mensagem que você deixa às leitoras que têm medo de abrir mão das certezas e seguranças para se arriscarem indo atrás dos seus sonhos?

Roberta Céu: A mensagem que eu deixo às mulheres é que devemos acreditar sempre no que queremos. Precisamos ter foco e não deixar que outras coisas influenciem os nossos objetivos; e se não temos certeza, na minha opinião, ainda não estamos no caminho certo. Humildade e respeito pelas pessoas é o segredo do acerto. Acredite no sonho, não desista. Nós mulheres somos capazes de grandes conquistas.

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