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‘Ser mãe não é para todo mundo’, diz empresária sobre desafios da maternidade

Para a funcionária pública e confeiteira Maria Eduarda Correia Lima, de 37 anos, ter se tornado mãe começou a exigir dela desde a gestação do pequeno Francisco, de 6 anos. Mesmo com a gravidez planejada, a empresária teve o risco de ter um parto prematuro. “Tive uma gravidez meio complicada, fiquei de repouso absoluto no final da gestação, com isso ganhei bastante peso. Não emagreci como me ‘prometeram’ no período da amamentação, apesar dele mamar em livre demanda. Depois da gravidez meu corpo já  mudou muito,  mas atribuo a 
vida em geral”, reflete.
Em sua conta no Instagram, com mais de 9 mil seguidores, a confeiteira dedicou uma publicação inteira aos desafios da maternidade. Nos comentários, muitas mulheres se solidarizaram e se identificaram com as “dores de ser mãe”. Quando o assunto é cobrança, Duda (como ela se identifica), diz que a pressão vem de vários lugares. “Eu tento me cobrar não me cobrar mais, mas é inevitável. A cobrança vem da  família, da escola, é uma cobrança social que parece que a gente não faz o suficiente. Isso é terrível. Ninguém diz “onde está o pai dessa criança?” É sempre a mãe que tem que responder. Costumo dizer que sou minha maior carrasca. Tem uma cobrança social muito grande sobre a mulher, principalmente a mãe.  Antes de ter filho, eu achava que precisaria me anular como mulher para ser uma boa mãe. E hoje sei que preciso ser uma mulher “realizada” para ser uma boa mãe”, desabafa a empresária que é separada. 

Para o psicólogo Alessandro Mariempietri, a expectativa em torno de uma maternidade perfeita  é fruto de uma cultura machista. “Existe uma pressão social oriunda da cultura machista de que toda mulher seria, por um chamado biológico ou metafísico, vocacionada à maternidade. Esse já seria uma primeira prisão, uma vez que toda mulher em tese deveria dar conta da maternidade com qualidade e competência já que teria nascido para isso. Daí se há algo que não sai justo como o esperado toda a responsabilidade tende a recair sobre a mulher”, disse.

O convívio com outras mães foi essencial para aliviar as tensões da experiência de ser mãe na vida de Duda. “Me cercar de outras mulheres empoderadas foi importante para eu desmistificar essa coisa da maternidade. Ser mãe não é para todo mundo, não é para toda mulher. Eu gostaria muito que as pessoas que tivessem me dito tudo que eu sei hoje. Não é fácil ser mãe, não é mágico. É muito difícil criar outro ser humano e ser responsável por ele”, afirma. Atualmente, Duda vive com o filho e revela que mesmo passando muito tempo juntos, ela não abre mão de cultivar sua individualidade.”Aproveito para ensinar a Chico que somos pessoas diferentes, que gostamos de programas de TV diferentes, e que a nossa individualidade precisa ser respeitada. Ele sabe que às vezes quero sair com as minhas amigas, e que esse é o meu momento”, garante. 

 

Desafio da maternidade? Antes de decidir engravidar, eu achava que não poderia ser mãe, acreditava que para ser mãe eu teria que me anular como mulher, deixaria de desejar por mim, viveria para cuidar do outro… Puxado, né? A maternidade já começou a exigir de mim desde a gravidez, risco de parto prematuro, enjôo era meu nome do meio, repouso absoluto, um monte de remédio para manter a gestação, não consegui o tão esperado parto normal… Costumo dizer que quando nasce uma mãe, nasce uma culpa. Ah o puerpério… Tirando os primeiros dias que estava louca de tanta ocitocina, foi foda! Chico mamava de 3 em 3 horas, ficou internado com 10 dias de vida, tinha refluxo (do tipo exorcista), tive mastite 3 vezes, ele tinha alergia a proteína do leite, nenhum medico diagnosticava, ele não dormia (só veio dormir com quase 2 anos), chorava o dia todo, tive depressão pós parto (também não diagnosticada na época), eu passava 24h com ele no colo, aprendi a ir no baheiro, comer, dormir, tudo com um bebê. Eu dormi enquanto amamentava, eu já deixei ele beber água da banheira enquanto dava banho, eu já deixei ele chorando no berço e fui chorar no chuveiro, eu já tive raiva dele, eu já tive raiva de mim No meio de tudo isso, passei a utilizar a teoria do avião: primeiro coloque a máscara de oxigênio em você e depois auxilie quem estiver ao seu lado. Me foi muito útil para começa a entender que se eu não estivesse bem, Chico não poderia estar. Pra mim o desafio da maternidade é diário e eterno, ser mãe é viver numa montanha russa de emoções, é a melhor e pior experiência que já tive na vida. #dudalimaconfeitaria #diadasmaes #desafiodamaternidade

Uma publicação compartilhada por Duda Lima – Confeitaria (@dudalimaconfeitaria) em

A experiência trouxe à empresária leveza e bom humor na hora de relativar o famoso ‘peso’ da maternidade. Questionada se houve arrependimento por ter se tornado mãe, Duda  brinca. “Em vários momentos nesses quase 7 anos. É dado um peso enorme a maternidade, e a gente compra esse pacote pesado, tem horas que dá vontade de largar tudo e sair louca pela BR”, sorri. No entanto, ela garante que ser mãe é também recompensador. “O que compensa é a relação de cumplicidade que estamos construindo, ver ele  crescendo feliz não tem preço. Eu diria a outras mães que acredite apenas nelas mesmas. O tempo inteiro mães de primeira viagem ouvem coisas que as desqualificam, que tiram suas credibilidades. Se cobre menos, você faz o que é possível, se acolha, seja legal com você”, aconselha outras mães. 

Separar expectativas

A raiva  foi um dos alertas para a terapeuta Elis Carvalho, de 33 anos, compreender a necessidade de autoacolhimento. “Costumava me achar culpada quando não tinha paciência com alguma coisa e aprendi a olhar para as situações difíceis, como indicadores do que está acontecendo comigo.

Elis e o filho | Foto: Aline Portela

Senti muita raiva por exemplo, até entender que a raiva era apenas uma forma de expressar uma necessidade minha de me sentir acolhida também”. reflete. Mãe do pequeno Luan, de 19 meses, Elis acredita que ser mãe é uma oportunidade amadurecimento e reflete sobre as dificuldades das mães que criam os filhos sozinhas. “A maternidade pede uma maturidade diferente das outras situações da vida e traz muitas oportunidades de nos melhorarmos. E ainda me irrita que o papel da mãe seja ainda muito invisível na sociedade, tornando muitas vidas de mães solitárias quanto ao o que se acontece dentro delas, os processos e novas situações”, afirma. A compreensão dos seus próprios limites e dificuldades ajudou a facilitadora Círculos e Vivências a lidar com a cobrança de uma outra  forma. “Não cobro muito de mim, sei que tenho limitações e que como mãe solo, preciso pedir ajuda se preciso. Hoje sei separar o que expectativa alheia, exigência alheia e no meio delas, tento sempre seguir a minha intuição sobre como agir com meu filho”, reflete.
A coach e psicóloga carioca Cíntia Aleixo atribui à comparação entre os filhos e suas conquistas como sendo uma das motivações para as frustrações na maternidade. “A comparação entre filhos e conquistas pode ser mais um fator que frustra a maternidade de uma mulher. Ou seja, ela deseja e espera de modo inconsciente que seus filhos cumpram aspectos comportamentais baseadas apenas em seu desejo o que geralmente te não representa a realidade daquela criança.Por exemplo: mães que debatem idade em que os filhos começaram a engatinhar, largaram a chupeta, nasceu o primeiro dente. Enfim, se você não ficar atenta a isto, todos os ciclos de desenvolvimento do seu filho podem te levar a criar expectativas demais e te causar um desconforto desnecessário,pois somos singulares. Temos nosso tempo e momento para todas as fases e conquistas”, afirma.

Amor incondicional

Paixão é talvez um dos sentimentos mais recorrentes entre as respostas de Ada Assunção quando o assunto é maternidade. Mãe do pequeno Tom, de 1 anos e 2 meses, a bióloga revela que nunca se arrependeu da escolha de colocar uma criança no mundo. “Jamais! Agradeço todos os dias por ele ter me escolhido e não ter desistido de mim”, enfatiza. Sobre as cobranças que sente a respeito da criação do filho, Ada diz que elas existem, mas tenta relativizar. “Me cobro saúde, me cobro disposição,  me cobro mais presença, me cobro que ele não se machuque. O cobrar, o auto cobrar é diário e inevitável. Estou apenas fazendo o que posso pra que meu filhote esteja bem. Tenho tentado aprender pra que ele fique sempre bem e que eu possa respeitar o tempo dele. Acho que essa “exigência” é  amor! É  amor em querer sempre o melhor pra ele”, afirma.

Para a bióloga Ada Assunção ser mãe é um prazer. Foto: Aline Portela

Mãe solo, Ada afirma que ainda não encontrou tempo para cultivar sua individualidade. “Talvez até os três anos dele seja o momento mesmo de dedicação. Trabalho das 8 às 17h. No horário de almoço vou em casa e além de (tentar) almoçar preciso dar uma arrumada na casa e ajeitar as coisas do outro dia. Às 18h pego ele na creche e vou pra casa e aí sou só dele…banho, comida, peitinho e sono”, confessa feliz. A alegria

Durante a gravidez, a bióloga de 40 anos engordou 23 quilos, mas explica que apesar do susto com as mudanças do corpo, a decisão de amamentar tem valido a pena. “Relaxei total com o peso.Fiz 1 mês de hidro  e algumas poucas aulas de Yoga,  com minha doula Maiana Kokila. Logo depois do parto achei que ainda estava penha.  O corpo não volta ao normal da noite pro dia como se mostra nas mídias e isso me assustou muito. Mas também acabei relaxando. Queria estar com saúde e leite. O corpo é  sábio e sabe se readequar. Aos poucos as coisas foram se ajeitando. Tenho leite, filhote mama em livre demanda e isso é uma fase. Vai passar e sentirei saudades. Então é  aproveitar”, diz.

Entender que a maternidade é uma experiência singular ajuda a desconstruir o mito da mãe perfeita e devota. “Na atualidade há um patrulhamento severo sobre o papel da mulher na maternidade que em geral é feito por outras mães ou por uma comunidade que se sustenta num suposto saber científico sobre criar filhos. Essa cientificidade que invade a relação dos pais e filhos hoje tem feito com que o bom senso dê lugar a um compromisso com um padrão de perfeição supostamente existente. Isso é danoso para pais, mães e filhos”, esclarece Marimpietri.

Fonte: IBahia

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