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‘Tava lá porque queria trabalhar’, diz irmã de baiana desaparecida em prédio de SP

Das sete pessoas que seguem desaparecidas após o incêndio e desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, no último dia 1º, no Centro de São Paulo, ao menos três são baianas e da mesma família. Selma Almeida da Silva, 40 anos, que morava com os dois filhos, os gêmeos Wendel e Wender, 10, na capital paulista, são procurados em meio às toneladas de entulho – todos os dias, 250 mil quilos de material são removidos do local, enquanto as buscas seguem.

Entre as pessoas que estão à procura de informações sobre vítimas está a técnica de enfermagem Maria Almeida da Silva, que lembra com carinho da irmã.

“Graças a Deus, a gente era muito chegada. Somos sete irmãos, somos todos unidos. A Selma tava em São Paulo, mas não tava jogada”, frisou.

Outros dois filhos de Selma, a menina Kevelyn Almeida da Silva Francisco, 14, e o pequeno Itacir, 9, moram com a avó no povoado de Agreste, a 64 km de Riacho de Santana, no Sudoeste baiano. Em entrevista ao CORREIO, Kevelyn lembra que morou com a mãe por um tempo em São Paulo, mas voltou à Bahia para morar com a avó, Romelita Almeida.

Cerca de 74 famílias habitam o povoado quilombola, de acordo com levantamento feita pela ONG Comissão Pró-Índio SP. 

Selma gostava de morar em São Paulo e foi para o Sudeste quando tinha 18 anos, à procura de trabalho.

“Era uma pessoa humilde, trabalhadora, se dava bem com todo mundo. Ela tava lá porque queria trabalhar”, contou Maria.

O município tinha cerca de 36.439 habitantes em 2017, segundo estimativa do IBGE. Em 2010, 54,7% dos riachenses possuíam rendimento mensal de, no máximo, meio salário mínimo.

Caçula, Maria esteve com Selma pela última vez há cinco anos, quando a irmã mais velha viajou de São Paulo para prestigiar sua formatura no ensino médio. Em 22 anos, Selma veio à Bahia por duas vezes. “A última vez que ela veio aqui foi em 2013. Em 2014 ela voltou pra lá. Em 2016 eu formei no técnico, ela falou que vinha, mas não veio”, relatou. As duas têm outros cinco irmãos.

Prefeitura ajudará família
Nessa segunda-feira (7), um dos irmãos de Selma, Uilian Almeida Silva, viajou para São Paulo acompanhado da mãe. Nesta terça (8) eles chegaram à capital paulista e mandaram notícias para a família. “Eles estão bem, resolvendo o que é de resolver”, conta Maria.

“Ela dava boa noite, dava bom dia, perguntava como eu tava… Antes dela ir pro trabalho e levar as crianças na escola, me perguntava se eu tinha dormido bem”, lembra Maria.

A Prefeitura de Riacho do Santana disse que designou uma assistente social para acompanhar a família. “Por se tratar de família carente, foi feito o pedido do traslado dos corpos, o que será feito, assim que possível, sem nenhum ônus para os familiares”.

Buscas
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou que o Corpo de Bombeiros localizou, nesta terça (8), fragmentos de ossos, brinquedos e um anel dourado nos escombros do Edifício Wilton Paes de Almeida. 

O IML paulista identificou de modo preliminar que os ossos têm características compatíveis com as de uma pessoa adulta do sexo masculino. “Os restos mortais foram encaminhados para o Núcleo de Antropologia, que irá realizar o exame de identificação humana”.

A única vítima encontrada e identificada até aqui, por meio de análise de arcada dentária, foi o carregador Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro. Ele estava sendo resgatado por uma equipe dos bombeiros, quando o prédio veio abaixo. Ele tinha voltado ao prédio para tentar salvar crianças.

Até o momento, 28 pessoas foram ouvidas na sede do 3º Distrito Policial (DP/Campos Elíseos), que investiga o caso. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) instaurou ainda um inquérito para apurar as associações que cobram aluguéis de moradores de ocupações.

Fonte: Correio

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