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Uva: substantivo feminino

Uva: substantivo feminino

Mulheres se destacam em universo masculino das degustações e estudos sobre bebida mais antiga do mundo

 

Se formos à vinícolas em Mendoza, nos deparamos com um universo feminino. Sim, em sua maioria as mulheres são as sommeliers e enólogas. Mas em sua totalidade, são elas que explicam a história daquele lugar com extremo detalhe e amor em suas palavras ao falar da produção de cada vinho. Desde o preparo do solo até a colheita das uvas, são elas que dominam o verbo nas maiores e mais famosas vinícolas da Argentina.

Encontramos algumas histórias de mulheres que fazem parte desse universo, como Carolina, que era designer gráfico, mas há seis meses decidiu se dedicar à sua paixão pelas uvas e hoje é sommelier da Susana Balbo. Mercedes era geóloga, mas hoje é sommelier da Catena Zapata. Sem falar de Karla, que cresceu vendo seus pais degustando vinhos e ela, como é de costume em Argentina, bebia sua copa de vinho misturada à agua e já pensava: quando crescer vou contar a história das uvas em meu país.

A vida e profissão hoje dessas mulheres é inspirada em algumas histórias como a de Laura Catena e Susana Balbo. Para os amantes de vinho esses nomes já chamam à atenção, pois representam duas das maiores e mais importantes vinícolas argentinas.

Laura Catena, filha de Nicolas Catena e neta de Angelica Zapata, hoje aos 53 anos não apenas dirige a Catena Zapata, como também possui sua própria vinícola. Mas a trajetória que mais me chamou à atenção foi a de Susana Balbo.

Susana é conhecida como a primeira mulher enóloga da Argentina. Hoje com 63 anos, formou-se em Mendoza em 1981. Como mulher autêntica, decidiu ser protagonista de sua história e criou a vinícola que hoje leva seu nome. Não era um cenário propenso para mulheres, já que apenas homens poderiam ser enólogos naquela época.

Em conversa entre uma degustação e outra, Carolina, uma das sommelier de Susana Balbo, disse que ainda é muito difícil uma mulher se tornar enóloga. Mesmo com nomes de peso como Laura Catena e Susana Balbo, o universo dos vinhos ainda é bastante machista. Mas se depender delas o nomes de muitas mulheres ainda serão citados como conhecedoras e estudiosas de uma das bebidas mais famosas do mundo.

Só para AS fortes!

 

Em uma das vinicolas que visitei, conheci Geminiana. Sommelier de seus 20 e poucos anos, me contou que em um restaurante ela pediu uma taça de vinho de Malbec – uva conhecida pela sua personalidade forte – e seu namorado uma taça de Pinot Noir – uva mais leve, conhecida por ser a uva das mulheres. Claro que o óbvio ímpeto sexista de que as bebidas fortes são para os homens e a fracas para as mulheres foi o esperado pelo garçom. Mas logo Geminiana disse: aqui quem gosta de bebida de personalidade sou eu!

 

Situações assim também já foram vividas por mim. Mulheres que sabem apreciar uma boa bebida são rotuladas como: “bebem como homem”.

 

Senhores, só lhes digo uma coisa: bebo como uma mulher. E, sim. As mulheres podem apreciar e estudar sobre vinhos, gins, conhaques e sobre qualquer coisa que lhe deem na telha. Outro dia ouvi alguém me dizer: Sara bebe mais que muito homem que conheço. Pausa para não tirarem suas conclusões de estereótipos de bêbados e etc. Mas o fato é que o universo dos vinhos me encanta e, como mulheres citadas acima, temos autenticidade e personalidade, igualmente como as uvas.

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